Bairros sem asfaltos, calçadas precárias e
ausência de rampas são falhas que prejudicam o trânsito de portadores de
deficiência física em Artur Nogueira e região. Segundo dados do Censo
Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE), dos 44.177 mil habitantes de Artur Nogueira,
22,7% possuem deficiências. Os portadores reclamam da falta de estrutura da
cidade e solicitam melhorias.
![]() |
| Banheiro da Prefeitura vai contra o artigo 11 da Constituição e não tem acesso a cadeirantes. Foto: Gabriela Vizine. |
O almoxarife Lázaro Domingos reside no município há
24 anos e, devido à poliomielite, utiliza muletas desde os cinco anos de idade.
Segundo o morador, há rampas e lugares acessíveis no centro da cidade, porém os
bairros deixam a desejar. “As calçadas dos bairros não contém acesso aos
deficientes. E pior, algumas vias não têm calçadas, forçando-nos a caminhar
pelas ruas. Sem contar os buracos e árvores caídas. Não tem condição”, critica.
Além dos problemas das calçadas, Domingos reclama
da falta de oportunidade de emprego aos portadores de deficiência física.
“Precisa-se de um curso, uma associação aos deficientes para engajá-los em
diversos setores”, recomenda.
A estudante Thais Alencar também sente a falta de
estrutura nos bairros. “Há certo lugares na cidade que não há como transitar de
cadeira de rodas, somente de carro”, comenta. Thais usa cadeira de rodas há 21
anos e reconhece que algumas coisas mudaram a respeito, porém ainda precisa de
melhorias.
O auditor fiscal e morador da região André Vedove,
aponta que determinados estabelecimentos constroem vias de acesso apenas para
cumprir a lei ao invés de elaborar os espaços com a qualidade necessária.
“Esses dias entrei em um banheiro adaptado e minha cadeira, que é pequena, não
coube dentro do sanitário”, conta.
Vedove assegura que é necessária a conscientização da população,
independente da legislação e obrigatoriedade legal, para assim, obter espaços
melhor aproveitados.
Semelhante a Vedove, Thais também acredita que a
conscientização é um caminho partidário e que a cidade deveria dar importância
aos cadeirantes. “A gente tem que aprender a lutar pelo que precisamos, não
podemos esperar que as pessoas pensem o tempo todo em nós, para então
providenciar devidas condições”, protesta a estudante Thais.
Prefeitura
Segundo o coordenador de
comunicação da Prefeitura de Artur Nogueira, Edson Baffi, os novos projetos
estão sendo desenvolvidos para 2014 e os prédios antigos deverão ser
reestruturados a médio e longo prazo. “Há uma série de ações dos setores
competentes prevendo a questões de ações de 2014. Não dá para mudar de um dia
para uma noite”, comenta.
Em visita à prefeitura da cidade,
a reportagem notou que não há acesso para os deficientes físicos, uma vez que o artigo 11 da Constituição determina que espaços públicos ou
privados destinados ao uso coletivo devem dar acesso às pessoas portadoras de
deficiência ou com mobilidade reduzida.
Por Gabriela Vizine
A nova lei dos
empregados domésticos aprovada em março deste ano tem contribuído para o melhor
desempenho dos trabalhadores. A lei composta por 16 artigos já está em vigor em
algumas capitais do país e determina jornada laboral de 8 horas diárias e 44
horas semanais. Porém, muitas domésticas ainda se sentem desinformadas
quanto aos benefícios da lei.
![]() |
Em vigor há seis meses, lei das domésticas garante
carteira assinada. Foto: Creative Commons. |
“Quando paro pra
conversar com as minhas amigas, que também são domésticas, percebo que elas não
têm informações sobre o assunto, pois nem todas estão atentas nas mudanças”, conta
a empregada doméstica Renata Costa que também diz que a lei veio em boa hora.
Conforme o advogado
trabalhista Lucas Tubino, o problema é que existem duas categorias de
trabalhadores recebendo tratamento desigual. “Uma tem muitos direitos e outra
tem menos”, afirma. A desvalorização das
domésticas despertou a necessidade de reajuste nas leis trabalhistas dando a
elas iguais condições, diminuindo assim a distância entre as outras categorias.
No entanto, o número de domésticas
que ainda não trabalham com carteira assinada é bastante elevado. Segundo
Tubino, “o recomendando é assinatura da mesma no primeiro dia de
trabalho”, caso contrário, a profissional estará irregular.
A lei ainda garante
outros benefícios como hora extra, salário mínimo, 13°salário, INSS e FGTS. Caso haja
irregularidades, deve-se procurar a delegacia do trabalho e mover uma ação
judicial trabalhista contra o empregador.
Por Vasco Suamo e Gabriel Amonai
Morar no bairro Cidade Universitária em Engenheiro Coelho (SP)
está cada vez mais perigoso. Em menos de 20 dias houve três assaltos à mão
armada. Os moradores do local estão preocupados com a falta de segurança e o
descaso da Prefeitura com a situação.
![]() |
| Nos últimos dias ocorreram três assaltos à mão armada no bairro. |
O bairro é visado pela grande quantidade de estudantes e a
facilidade de fuga, devido à proximidade com duas rodovias estaduais, que dão
acesso a Mogi-Mirim, Limeira e Campinas. Os moradores alegam que o crescimento
desorganizado do local e a falta de policiamento facilitam a ocorrência de
roubos.
A dona de casa Renata Joardini foi uma das vítimas. Em casa
com as duas filhas ouviu latidos do cachorro e quando foi ver, os bandidos
estavam na porta. Todas foram rendidas enquanto os homens procuravam por
pertences. Para a fuga, tentaram levar o carro, mas acabaram desistindo.
“Tentei ligar no 190, mas caiu em outra cidade. Tive que ligar diretamente para
a delegacia de Engenheiro. Os policias chegaram cerca de 40 minutos após a
chamada”, desabafa Renata.
A empresária Samantha Dalcamini passou por uma situação
parecida. Perto do horário de encerrar as atividades do dia, os ladrões
entraram no seu comércio, renderam os funcionários e levaram os objetos de
valor e o dinheiro em caixa. “Foi muito rápido. Não sabíamos o que fazer.
Ficamos parados esperando que eles fossem embora”, lamenta Samantha. A
empresária afirma que vai propor um abaixo-assinado para cobrar das autoridades
mais segurança no local.
Na quinta feira 5 de setembro, uma estudante relatou que foi
surpreendida por três homens no momento em que chegava à casa do namorado. “Nem sei o que aconteceu. Não lembro se
entreguei a chave da carro ou eles pegaram. Só sei que corri para dentro de
casa chorando e gritando”, lembra. A jovem, que não quis se identificar, é
moradora do local há um mês.
Nas três situações a descrição dos assaltantes foi a mesma.
Três rapazes de meia estatura e uma arma. O vereador Jackson Germanowicz revela
que a Policia Militar (PM) já tem suspeitos dos crimes e que as medidas
necessárias estão sendo tomadas. “Nós estamos mapeando a área. Uma hora ou
outra a gente resolve”, assegura Germanowicz. O vereador Wagner Ferrera conta
que a Prefeitura estaria ciente dos casos e estuda providências imediatas.
“Conversei com o prefeito e fui informado que a situação será resolvida em 30
dias e a PM deverá atuar mais de perto com o auxílio da Guarda Municipal”,
confirma.
Nas últimas eleições, as principais propostas para o bairro Cidade
Universitária envolviam questões de segurança pública. Entre as promessas
estavam uma guarita da PM e câmeras de monitoramento espalhadas pelo local. O
vice-presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg), Sauro Cruz, diz
que havia um planejamento, mas a Guarda Municipal não seguiu. Em relação ao
monitoramento, Cruz afirma que é inviável devido ao alto custo dos equipamentos.
Já em relação à instalação do posto policial, ele afirma não acreditar na
proposta. “A colocação da guarita é
apenas uma promessa de campanha”, critica.
A Prefeitura de
Engenheiro Coelho não se pronunciou sobre assunto. Apesar de nas três situações
descritas na matéria o Boletim de Ocorrência (BO) ter sido feito pelas vítimas,
a PM afirma que não é comum o registro de crimes pelos moradores, por isso o
governo do Estado não investe no local.
Por Karine Dias e
Anamim Dias
Há quase oito anos o Senado vem tentando estabelecer a lei que proíbe
venda de alimentos gordurosos e bebidas com baixo teor nutricional em
lanchonetes das escolas públicas e privadas. Mas muitos educandários estão
enfrentando dificuldades em substituir o cardápio, uma vez que os alunos não concordam
com a decisão tomada pelo Senado.
![]() |
| Se a lei for implantada, alimentos gordurosos não serão mais comercializados em ambiente escolar. Foto: Mariana Troc. |
Atualmente, cerca de 51% dos
brasileiros estão acima do peso. Segundo a nutricionista Patrícia Cardoso de Moraes,
da Secretaria da Educação da Prefeitura de Engenheiro Coelho, a lei é importante pois ajudará a diminuir esse percentual. “Como
as crianças e adolescentes permanecem muito tempo nas escolas, nada mais
correto que estimulá-los a ter uma alimentação mais saudável dentro destes
ambientes”, alegou.
Segundo o Senado, a
lei deve ser um dos meios mais eficazes de redução do nível de colesterol e obesidade
nas crianças, além de prevenir as doenças causadas pela gordura trans – rica em
alimentos industrializados. Entre as principais estão triglicérides, obesidade
abdominal, diabetes e doenças cardíacas.
Alguns pais concordam com a nova lei alegando que trará benefícios. “Com
certeza ajudará na educação alimentar do meu filho”, afirma Jennifer Santana,
mãe de um aluno de sete anos.
Os senadores esperam unificar a qualidade de alimentos e estimular ações
de educação nutricional e sanitária nas escolas. O projeto havia sido aprovado
no colegiado, mas a decisão é terminativa e precisou ser submetida ao segundo
turno de votação. A medida segue agora para apreciação da câmara dos deputados.
Por Marlene Pereira Quissola
O sol já estava se pondo quando Francisco
Alves, ou seu Chico, como prefere ser chamado, parou o carro ao lado de um
terreno baldio no bairro Jardim Carolina, em Artur Nogueira. Após peregrinar
por locais como Minas Gerais, Paraná, Goiás e São Paulo, seu Chico e a família
de ciganos desceram naquele local enlameado, sem asfalto e repleto de buracos
para nunca mais saírem. Sem mais migrações, aquela era a parada final. O ano
era 1998.
![]() |
| A tradição permanece em saias longas e joias. Foto: Isadora Stentzler |
Além de Francisco, os três filhos,
Igor, Cassiano e Branco, junto da esposa Sílvia desembarcaram ali naquela tarde
de outubro. Quinze anos depois, o Jardim Carolina ainda é a casa de seu Chico.
Mesmo com um local fixo, a família não abandonou os costumes e as tradições
ciganas. Fazem parte de um contingente que diminui constantemente e possui,
segundo o último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), 800 mil integrantes no Brasil.
No fim de maio, a Secretaria de
Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) lançou o Guia de Políticas Públicas
para Povos Ciganos. O guia, com pouco mais de vinte páginas, surgiu como meio
de preencher um vazio nos levantamentos culturais e estatísticos da área.
Segundo o documento, existem 291 acampamentos ciganos no Brasil, desses, apenas
40 localidades tem projetos voltados para o grupo étnico.
Apesar de acrescentar pontos como
prioridade no acesso a terra, programas de saúde da família e bolsa-família,
além de programas culturais, como a rede de pontos de cultura e o Prêmio
Culturas Ciganas, o guia não causou grande impacto entre os ciganos. “Escutei
algo sobre essa iniciativa do governo, mas acho que ela é tardia. O momento em
que mais precisávamos do apoio das entidades públicas foi há trinta, quarenta
anos. Hoje, o número de ciganos caiu, a quantidade de migrações decresceu e a
cultura cigana foi perdendo espaço em meio ao que já existia nas cidades. Agora
é muito tarde”, aponta o irmão de Chico, Miguel Alves.
Sobrevivência
![]() |
| Silvia em frente a casa que moram no bairro Jardim Carolina. Foto: Isadora Stentzler. |
A poucos metros dali, na divisa entre
os bairros Jardim Carolina e Orlando Correia Barbosa, Miguel levanta da cama
com um pulo ligeiro. Quase tão depressa quanto o movimento para acordar, Miguel
se arruma e se prepara para as atividades do dia. Junto com ele, moram mais
seis parentes, desde a esposa até o genro. “Em casa ninguém fica parado, todo
mundo trabalha para ajudar no sustento”, revela o cigano, enquanto liga seu
carro, um Gol antigo, pensando em que lugar iria.
Quase que instantaneamente, ali perto,
Chico também preparava o carro dele, com pouco mais de 15 anos de uso. Sua nora,
Cassiana, e dois de seus filhos já haviam saído. Na bagagem dos dois veículos
estavam itens eletrônicos e aparelhos, entre outros objetos que são vendidos
diariamente para o sustento familiar. “Buscamos esses itens em São Paulo e
vendemos em tudo o que é lugar na região. Não é em um local fixo. As vezes
vendemos bastante e outras não conseguimos comercializar nada. É assim que
vamos sobrevivendo”, conta Miguel.
Enquanto o esposo sai de casa, Silvia,
casada com Chico, se reúne com outras ciganas, todas vestindo saias longas
coloridas, mantendo a tradição do grupo. Não é difícil para os moradores das
redondezas encontrá-las em frente a sua residência na rua Sebastião Rodrigues. Elas
também vendem itens eletrônicos e aparelhos para ajudar na renda da casa. Porém,
a maneira de sobrevivência não os satisfaz. “É complicado viver nessa
incerteza. Já tentei procurar outras formas fixas de trabalho, mas eles não
aceitam de modo algum”, desabafa Chico, com o olhar fixo no chão e cabeça
baixa, como que transmitindo sua fala pela expressão facial. “Dizem que devido
à nossa escolaridade baixa e à idade não podem nos contratar. Para os nossos
filhos já é um pouco mais fácil, são jovens, estudam, mas para nós, o negócio é
aceitar”, conta resignadamente Miguel.
Tradição
![]() |
| Mãe cigana banha a filha de maneira tradicionalista. Foto: Isadora Stentzler |
Rio Claro, Santo Antônio de Posse e
Engenheiro Coelho. Nem mesmo a distância entre os municípios dos familiares e
Artur Nogueira impede que a tradição cigana fique intacta. “Ocasionalmente a
família se reúne em tendas para manter a cultura”, revela Chico. Antes comum
aos ciganos, a habitação em tendas e a vida peregrina ficaram para trás na
família de Chico e Miguel.
Antes de chegarem ao município “Berço da Amizade”,
os dois já haviam se estabelecido em Posse. “Com as cidades crescendo e as
oportunidades para os mais desfavorecidos, como a gente, aumentando, a gente e
boa parte dos ciganos do Brasil resolveram ter moradia fixa”, relata Miguel.
Com o estabelecimento fixo, a nova
geração de ciganos, representada pelos filhos de Chico, Igor, Branco e Cassiano,
não conviveu com as mudanças e a vida em tendas. “Na minha infância chegávamos
a um local, ficávamos por uns dez dias e íamos embora. Tomava muito banho de
rio e andava a cavalo”, exclama a dona Francisca, parente de Miguel. “Nossa
família perambulou por Minas Gerais, interior de São Paulo, Goiás e Paraná.
Armamos tendas em diversos locais e, se não conseguíssemos vender bem ali,
procurávamos outra área”, conta Chico. Ao olhar para o filho Igor, indo para a
escola, ele não escondeu a realidade em que vivia no passado. “Isso é algo que
não pude sonhar na minha infância.”
Descaso
![]() |
| Mesmo morando em casas, os lenços coloridos e brilhosos continuam decorando o lar da família cigana. Foto: Isadora Stentzler. |
Conhecidos e acolhidos pelos populares
do bairro, o grupo de ciganos se sente “à vontade” no local. O desejo entre
eles é unânime, como diz Francisca. “Não queremos sair daqui”. O motivo repousa,
entre outras razões, no preconceito sofrido em outros locais e até mesmo na
própria cidade. Com os braços cruzados e um olhar transparecendo revolta,
Miguel aponta para a família e revela alguns dos estereótipos que receberam
indo de “assassinos” e “ladrões” até “satanistas” e “sequestradores de bebês”.
“Em certas localidades, as pessoas saíam de perto quando passávamos”.
Francisca conta que durante o período
em que migravam pelo interior de São
Paulo e de Minas Gerais, algumas das
cidades em que visitavam ficavam vazias. “Divulgavam no lugar que os ciganos
estavam chegando e, desta forma, todos fugiam às pressas”, desabafa. As experiências
ainda deixam marcas. Seja no olhar indignado, no rosto entristecido ou no
retraimento, o grupo tenta, porém não consegue esconder a revolta com os fatos.
“Até hoje ninguém de algum órgão público veio nos procurar, seja para questões
de moradia ou de alimentação. Quando queremos emprego, nunca existem vagas. A
visão que as pessoas têm sobre ciganos é completamente errada”, aponta Miguel,
enquanto observava sua esposa dando um banho na filha. Não transparecia
indignação com o que sofria, mas com o que ela poderia sofrer quando crescesse.
Por Guilherme Cavalcante e Skarlady Fernandes
Saio da 14ª Delegacia de Polícia (DP)
em São Paulo, onde dois manifestantes foram presos, e caminho com um grupo para
o terminal Pinheiros. Somos seis ou sete. Não faz frio. Mas também não faz
calor. É um clima atípico ao clima de inverno. No caminho até o ponto, nada de
futilidades. Discursos politizados e indignação com a atual gestão
governamental pautavam os assuntos. Risos também. Afinal, ninguém é de ferro.
Quebra-quebra? Não. Não havia vândalos ali. Grafites, sim. Mais alguns minutos
e chegamos. O ônibus não tarda. “Não temos grana”, revelamos. Sem problemas.
Passamos por baixo da catraca e sentamos nos bancos ao fundo. O ônibus acelera,
e para. De novo. De novo. E de novo... mas é somente quando ele abre as portas
na avenida Morumbi, que descemos. O destino é o Ocupa Alckmin, Palácio dos Manifestantes
nº 4.666.
![]() |
| O número 4.666 é uma sátira ao "4.500" do Palácio dos Bandeirantes. "Viemos para encomodar eles", contaram. Foto: Anna Paula Rodrigues. |
Era noite de 23 de agosto. Naquela
sexta-feira, cerca de 300 pessoas participaram de um ato contra a revista “Veja,
fascista, sensacionalista!” em frente a editora Abril. Depois de duas prisões e
as horas avançadas, não tive para onde ir – afinal, não sou de São Paulo - e
fui convidada para me juntar ao grupo rumo ao Ocupa.
Se olhasse só de fora, veria apenas
lonas. Negras, amarelas e azuis. E para muitos dos “burgueses” que moram no
Morumbi, o local não passa disso. Um amontoado de lonas negras, amarelas e
azuis. Mas para os inúmeros jovens que já circularam pelo local desde o
primeiro dia, o Ocupa é um símbolo de resistência. “Já fazem três semanas que
estamos aqui”, me contou Laila Manuelle, 24. “E não vamos sair tão cedo.”
Cada conversa, só reforçou a ideia de
que o Palácio dos Manifestantes não está lá para enfeiar o bairro nobre, mas
para embelezar a democracia. O que vale também para os grafites. Nos primeiros
dias, a fachada do Palácio dos Bandeirantes, nº 4.500, foi decorada com
palavras de ordem. “Idiotice é escrever seu nome, agora, escrever uma mensagem,
aí sim!”, pontuou um dos ocupantes que vira e mexe usava os sprays para retocar
alguma frase nas lonas. Mas naquele dia, as paredes amarelas do Palácio já
estavam repintadas e, segundo um manifestante, com algumas câmeras a mais.
O que encontrei ali é o fruto de uma
manifestação do dia 2 de agosto. Na época, um grupo saiu do Masp, na avenida
Paulista, em direção ao portão 2 do Palácio, onde ficaram. Não sem motivo. Pelo
contrário. A indignação popular era tamanha, que materializou em barracas as
reivindicações contra a gestão do atual governador Geraldo Alckmin. A
arbitrariedade da polícia militar, que fez lembrar episódios como a desocupação
do Pinheirinho e o massacre do Carandiru, ainda entalados na garganta de muita
gente, serviram para frisar o descaso do governador. Além dos “R$ 777,5 milhões
roubados do contribuinte”, lembrados numa faixa na entrada no local.
Aquilo então que começou com algumas
barracas, ganhou uma estrutura de cabos de aço, arames, cordas e paus e se
transformou no Palácio dos Manifestantes.
Rotina? Não. Luxo? Não. Desordem?
Também não. O Ocupa funciona assim. Para entrar, é preciso “deixar de lado o
ego”, pois o sistema é horizontal. Ao menos era isso que indicava um quadro de
giz em cima de duas grandes caixas de isopor logo após a “lona” de entrada.
Lar Ocupa
![]() |
| Deixada na entrada do local, o quadro indica que todos são bem-vindos desde que mantenham a humildade. Foto: Isadora Stentzler. |
Um por
todos e todos por um. É clichê, mas é assim que funciona. No sábado, logo após
o almoço de arroz e macarrão com pouco molho, chegou a hora da limpeza. Ninguém
fugiu. Um guardou a sacola de comida, dois buscaram cerca de 10 garrafas de
água a 300 metros do Ocupa, outros lavaram a louça, e eu e mais dois varremos e
dobramos as cobertas.
“Aqui a
gente entende o que realmente tem valor”, começa a me explicar Laila. “Por exemplo, água é importante? É, água é importante. Comida
é importante? É, comida é importante. Saneamento básico é importante? É,
saneamento básico é muito importante.Comunicação é importante? É, comunicação é
importante. Agora, carro é importante? Não, carro não é importante.”
Para se
manter no local, diferente do que publicou a revista Época na matéria “Inimigos da democracia” na edição de 12 de agosto,
o grupo conta com doações que nada tem a ver com R$ 70 por dia ou carne e
cerveja à noite, indicados pelo semanário. “Se fosse assim eu nem ia mais pra
casa!”, brinca o estudante de arquitetura Henrique Rosse, 20. Coincidentemente,
naquele dia (24), duas caixas de bananas foram doadas. Mas não só isso. Iogurte,
energético, torradinhas, pão, pão doce, suco e frios também chegaram. “Na
maioria das vezes não sabemos quem mandou. Mas aceitamos”, me contaram. Entre
os utensílios que já receberam estão o gerador de energia, modem roteador para
internet wi-fi, cobertores, fogão, barracas e livros – o grupo possui uma “biblioteca
livre” com clássicos da literatura brasileira para as horas vagas.
Porém, nem
sempre eles ganham tudo. “As vezes a gente racha com a galera e compra algo”.
“Mas e se alguém não pode ajudar?”, pergunto. “Aí não ajuda, a gente não obriga
ninguém”, me respondeu Laila.
Sempre que
precisam de alguma coisa, eles também postam na página oficial do Ocupa Alckmin
no Facebook – mesmo nome – as necessidades. E agradecem de forma geral, já que
em algumas ocasiões os ajudadores ficam no anonimato.
Ocupam porque sim
![]() |
| Lonas grafitadas são a decoração externa e o desabafo dos ocupantes que estão no local desde 2 de agosto. Foto: Anna Paula Rodrigues. |
A fim de
permanecer no local, alguns manifestantes contrariaram chefes e familiares. Uma
das moças com quem conversei disse que quando o Ocupa começou ela estava
terminando o período de estágio numa empresa. Mas parou de ir. Quem sabe porque
os futuros patrões não entenderiam. Além do emprego, ela disse que a relação
com a mãe não ficou das melhores. “A gente se via pouco mesmo”, frisou. Para
não voltar seguidamente para casa, ela, assim como outros manifestantes, iam
até um shopping próximo para tomar banho, e depois voltar ao Ocupa.
Mas isso
não é regra. A mãe do estudante de design gráfico Pedro Henrique, 25, por
exemplo, participou das lutas da ditadura contra o poderio militar. Ela entende
e apóia a atitude do filho como sendo a vez dele de reivindicar pela mudança no
país.
É por isso
que permanecer no Ocupa não é vandalismo, nem vadiagem. Mesmo que alguns carros
da zona nobre passem xingando os manifestantes, inclusive a mim que estava com
o grupo naquele dia, ainda há pessoas que entendem o significado da permanência
e compartilham dos ideais dos ocupantes.
Mas até
quando ficarão por lá? Nem eles sabem. Se o medidor para isso for a vontade de
lutar, estes guerreiros da democracia não arredam o pé tão cedo. Não porque
eles não têm para onde ir, mas porque em alguma rua há alguém que não tem -
vítima do vandalismo de um Estado que não dá acesso as condições básicas para
viver.
Sendo assim, eles permanecerão, afim de pregar que: “Entre a burguesia que oprime e a
favela que é oprimida, nós defendemos a igualdade de direitos sociais” –
Palácio dos Manifestantes, número 4.666.
Por Isadora Stentzler
Funcionários de algumas
empresas de transportes públicos entraram em greve na região metropolitana de
Campinas (RMC) na sexta-feira, 9 de agosto. Aproximadamente 250 mil passageiros
foram prejudicados com o ato. As cidades
de Artur Nogueira, Engenheiro Coelho e Cosmópolis também foram afetadas.
![]() |
Passageiros ainda
reclamam da qualidade e quantidade de
ônibus da RMC. Foto: Amanda Flores.
|
O motivo da paralisação
estava relacionado à mudança no convênio médico dos funcionários que hoje é de
R$ 79 mensais com desconto de 45% do plano de saúde na folha de pagamento.
Antes a ajuda era de R$ 71 semanais.
Mesmo o ato não tendo
ligação aos protestos de junho, no que diz respeito à qualidade e preço das
tarifas dos transportes, o público atingido voltou a mencionar a questão da
qualidade dos coletivos na região. “Mesmo depois dos protestos, as companhias
de transportes públicos não fizeram quase nada para melhorar os veículos”,
comenta a universitária Nathália Lima.
Além da qualidade, as
pessoas reclamam da quantidade de transportes que circulam na região de Artur
Nogueira e Engenheiro Coelho. “Acredito que as empresas poderiam aumentar o
número de veículos que percorrem a região, principalmente nos horários de
pico”, julga a estudante Janaína Toleto. “É pouco ônibus para muita gente que
faz uso desse meio.”
Já o universitário
Douglas Pessoa acha que a quantidade de transportes continuará a mesma, mas
acredita que se fosse acrescentado um micro-ônibus a cada meia hora que um
ônibus circula, facilitaria muito a vida dos passageiros. “Eu e um amigo quase
passamos a noite na rodoviária de Artur Nogueira porque não havia ônibus
circulando depois das 21h”, comenta.
A Empresa
Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) e a empresa VB Transportes de
Campinas foram procuradas para falar a respeito da qualidade e horários de
ônibus que percorrem a região, mas nenhum responsável foi encontrado.
Por Mayra Silva e
Manuela da Costa
Um estudo realizado pela Previdência Social e
encaminhado ao Congresso Nacional revela que o Brasil terá dificuldades para
custear as aposentadorias. A queda na taxa de natalidade e o aumento da
expectativa de vida serão os responsáveis pelo problema. De acordo com o
estudo, o déficit em 2050 será de 5,6%, 20 vezes superior ao atual.
![]() |
A previdência privada pode conceder renda mensal no
futuro.
|
A especialista em direito previdenciário Gabriela Bettelli Lopes conta
que a estruturação familiar atual reflete negativamente sobre a Previdência
Social. “A opção de não ter mais filhos pode até suavizar as finanças, porém,
sob a visão previdenciária, acarretará em um rombo nos
cofres públicos”. Gabriela também acrescenta que
o sonho da tão esperada aposentadoria do INSS pode estar terminando. “A
esperança que está aos olhos se chama previdência privada, que a meu ver sempre
foi a melhor opção.”
O advogado José Carlos Fragoas Pimenta acredita que no Brasil
faltam cultura e informações necessárias para a utilização da previdência
privada. Para ele, essa é a única oportunidade de garantir uma aposentadoria
segura devido ao envelhecimento iminente da população. “Esta
situação, a meu ver, irá refletir, em um futuro próximo, no aumento de
contribuição do INSS sobre os ativos, no aumento de idade para as futuras
aposentadorias e na redução dos benefícios pagos pelo INSS,” alerta.
Atualmente, para cada aposentado, há 5,3 pessoas economicamente ativas. Em 2050
esse número se resumirá a 1,8.
Hoje, o déficit da previdência é de 0,86% do Produto
Interno Bruto (PIB). Em 2016, alcançará o seu menor índice, 0,23%. Nos próximos
anos irá crescer até chegar a 3% em 2040 e 5,6% em 2050.
A previdência privada é um sistema que acumula fundos
e possibilita ao “investidor” receber uma renda mensal no futuro.
Por Karine Dias
Entrou em vigor na segunda-feira, 10 de junho, a nova lei
que obriga qualquer comércio especificar sete impostos que estão no valor do
produto. O objetivo dessa nova nota fiscal é deixar o consumidor ciente do
preço real da mercadoria e o quanto é pago em taxas acima do valor. Para muitos
comerciantes a regulamentação ainda é confusa.
![]() |
| A nota fiscal deve ter o detalhamento de sete impostos pagos sobre o produto. |
Em nota divulgada no dia 10, a Casa Civil informou que a
responsabilidade da regulamentação e
fiscalização da Lei Federal 12.741
será da Secretária da Micro e Pequena Empresa. A Casa Civil também encaminhou
uma proposta ao Congresso pedindo prazo de um ano para que as penalidades sejam
aplicadas em quem não cumprir a lei. Por enquanto, todos os comerciantes serão auxiliados
pela Secretária. O Procon também deve ajudar nas orientações.
O estudante
universitário Marcos Lamarques, conta que a nova lei vai ajudar o consumidor a
saber exatamente o que esta pagando. “A nova lei vai trazer mais esclarecimento
para quem estiver comprando alguma coisa. Vamos saber realmente o preço do
produto e quanto estamos pagando de impostos”, explica.
Já o estudante Lucas Serain, não acredita em melhorias. “O consumidor vai saber quanto paga de taxas em cima de produtos. Acho que nada mais vai acontecer, com a nova lei ou não, os impostos não devem baixar”, comenta.
Apesar do prazo
para a lei entrar em vigor, muitos comerciantes não estavam prontos para
atender as novas exigências. Segundo assessoria de imprensa da Associação
Comercial e Industrial de Campinas (Acic), os comerciantes que não praticarem a
nova lei terão um ano para instalarem softwares necessários para o cálculo dos
impostos que devem estar na nota fiscal. Após esse prazo, a regulamentação
prevê multa e até mesmo o fechamento do estabelecimento.
A nova lei exige
que sete tributos sejam mostrados ao consumidor na nota fiscal: IOF (Imposto
sobre Operações Financeiras), IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados),
PIS/Pasep (Contribuição para o Programa de Integração Social), Cofins
(contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), Cide (Contribuição de
Intervenção no Domínio Econômico), ICMS (Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços) e ISS (Imposto sobre Serviços).
Por Peter Erick Goldschmidt
O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, divulgou que há necessidade de importar médicos para atuar em áreas carentes do Brasil. A possibilidade que está sendo estudada inclui Espanha, Portugal e Cuba como países em potencial para exportar médicos que atuem sem a necessidade do exame de validação do curso. O Ministério da Saúde informou que, na última década, o Brasil abriu 124 mil postos de trabalho, mas formou apenas 93 mil médicos.
Parte dos 6 mil médicos cubanos solicitados pelo Brasil
são formados na Escola Latinoamericana de Medicina.
|
Segundo o diretor administrativo do Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa), João Gouveia, os representantes da categoria no Brasil já se posicionaram a favor da vinda desses novos profissionais, mas são contra a isenção do processo de convalidação do curso. “Trazer médicos de outros países sem atestar sua qualificação é submeter a população ao risco de ser atendido por pessoas de formação duvidosa”, alega Gouveia.
Os estudantes no exterior também apoiam o projeto do Ministério da Saúde, mas desaprovam a possibilidade da revalidação do diploma ser negligenciada. Felipe Sulger estuda medicina na Bolívia e acredita que há um preconceito por parte da mídia e do Conselho Regional dos Médicos do Brasil por perderem muitos alunos para os países vizinhos. Porém, Sulger admite que o curso no exterior apresenta falhas. “Estudo em um país de baixo nível acadêmico e recursos financeiros, então a questão a ser debatida é que tipo de profissional está sendo formado”, lamenta.
Para o ministro da Saúde, não há necessidade da validação do curso, pois esses reforços só poderão atuar em locais escolhidos pelo governo e pelo tempo máximo de três anos. A importação de médicos é considerada favorável pela facilidade com o idioma, a alta qualidade na formação e a crise econômica que as nações ibéricas estão enfrentando. Na Espanha, há cerca de 20 mil profissionais da área desempregados.
Em 2012, a prova de revalidação do curso de medicina reprovou mais de 90% dos estudantes, incluindo os candidatos dos países de onde serão importados novos profissionais.
Karine Dias
Karine Dias
Por: Gabriela Vizine
Muitas crianças passam pelo
local. Lucineide Araújo possui um filho e teme que a água jorrada possa estar infectada.
“A situação da fossa está horrível, ela pode transmitir doenças para as crianças
que brincam aqui na rua”, comenta a dona de casa. Além do descaso com as crianças, o odor
produzido incomoda os moradores. “Quando bate o sol, o cheiro fica insuportável.
Tinham que tomar uma atitude de qualquer maneira”, recrimina o pedreiro Edson
Oliveira.
Os moradores do bairro Cidade
Universitária, em Engenheiro Coelho, criticam a falta de manutenção da fossa
localizada na vizinhança. A água, segundo moradores, transborda há cerca de oito meses e percorre a rua
parando na frente da casa dos residentes que, irritados, jogam terra por cima
na tentativa de solucionar o problema. Algumas reinvidicações já foram feitas,
entretanto, sem sucesso.
| Problema com a fossa não é resolvido há meses. Foto: Gabriela Vizine. | . |
Uma vez por semana, há
funcionários que esvaziam a fossa, todavia, o problema não é solucionado. A
estudante Carol Sberavatti conta que um conserto foi feito, mas que ao invés de
reestruturarem a rede de esgoto, apenas um cano foi trocado. Assim, toda vez
que algum morador utiliza a torneira de casa, a fossa transborda novamente. “Eles
não estão nem aí. Nós pagamos aluguel e assinamos contrato para a manutenção e
administração da propriedade. Já vi muitas baratas rodando o local”, comenta
indignada.
O representante da Vigilância
Sanitária, David Forner, declara que a fossa pode ter água contaminada, mas o
dono não entrou com o recurso requerido pela vigilância. “Estou encaminhando um
relatório para o setor jurídico a respeito do caso que provavelmente poderá
arcar multa e demais providências, de acordo com avaliação do jurídico e do
prazo estabelecido”, relata Forner.
A presidente da associação do
bairro, Lucia Ketleen, conta que vai levar o exame à prefeitura, se ela não
resolver, levará ao Ministério Público. “A caixa que há ali é pequena e
insuficiente para a quantidade de pessoas que habitam no local. Além disso, ela
precisa de limpeza com frequência”, explica Lucia.
A secretária da imobiliária
Galindo Imóveis, Ana Medeiros, assegura que o caso foi passado à prefeitura e
que a água que sai da fossa, ao contrário do que defendem os moradores, não é
do vaso sanitário. “A responsabilidade da fossa não é da imobiliária e sim do
proprietário, nós apenas recolhemos o aluguel”, aponta.
De acordo com o advogado Carlos Hees, a imobiliária não é
responsável pelo imóvel do inquilino, e que a responsabilidade por esse tipo de
manutenção é do proprietário. “A imobiliária deve ser a ponte de comunicação
entre inquilino e morador, que pode até mesmo ser indenizado”, pontua Hees. Já
o advogado Carlos Ferre, aconselha ao morador contatar o proprietário e
solicitar a manutenção devida do problema. “Ele [o dono] poderá pagar os
reparos ou abater no aluguel o gasto feito pelo morador”, recomenda Ferre.
A equipe da Agência Brasileira de Jornalismo (ABJ) tentou
entrar em contato com o proprietário das casas, responsável pela fossa, porém
não conseguiu conversar com o mesmo.
Por: Douglas Pessoa
Segundo levantamento do
Ministério da Educação, em 2012 foi oferecido pela Capes e pelo CNPq mais de
125 mil bolsas de mestrado, doutorado e
pós-doutorado. Se for somado o número de bolsas do Programa Institucional de
Iniciação à Docência o número chega a 127 mil. Após o atual reajuste as
carteiras serão, respectivamente, nos valores de R$ 1.500, R$ 2.200 e R$ 4.100.
Todas as bolsas cedidas
pelo governo para cursos de pós-graduação sofrerão um reajuste de 10% a partir
do mês de maio. Isso significa que os estudantes que se dedicam exclusivamente
para pesquisa e construção de teses com auxílio financeiro da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão responsável pelo comando de todos os cursos
Latu Sensu e Stricto Sensu, serão beneficiados com o aumento. A medida também
vale para brasileiros que estudam no exterior.
![]() |
| Governo incentiva cursos de pós graduação para dinamizar mercado. Foto: Bruna Perales. |
De acordo
com a Associação Nacional dos Pós-Graduandos, o reajuste pode ser considerado
como uma conquista, uma vez que a maior parte desses estudantes depende
exclusivamente da bolsa para se manter. Para o professor Walter Mendes, que
cursou doutorado em Língua Francesa pela USP, fazendo pesquisa como bolsista da
Capes na Université Paris VII, na França, os valores das bolsas são suficientes
para a manutenção do estudante na Europa. “O
custo de vida lá não é tão alto quanto as pessoas imaginam, e há muitos
incentivos e descontos para os estudantes nesses países”, comenta. O professor
também concorda que “a quantidade de bolsas é razoável.”
Mendes
lembra que o fato de fazer uma pós-graduação fora do Brasil, especialmente na
Europa, não deve ser encarado como um passeio turístico por um estudante que se
mantém através de bolsa. “Obviamente, não é uma bolsa turismo, e o aluno que
quiser viajar pelo continente terá de organizar muito o seu orçamento”, alerta.
Outro problema mencionado pelo professor é que a bolsa não é uma substituição
do emprego: “É um auxílio concedido pelas agências de pesquisa para que o
pós-graduando se dedique integralmente ao trabalho que desenvolve.”
O
reajuste também engloba estudantes do programa Ciência sem Fronteiras do
governo federal. Em janeiro deste ano, a presidente Dilma precisou intervir,
devido ao atraso repasse de dinheiro para pós-graduandos, na University of East
London, no Reino Unido. Cerca de 35 bolsistas estavam sem receber, desde
setembro de 2012, 400 libras para despesas. Em socorro a universidade britânica
concedeu empréstimos emergenciais de 500 libras.
Segundo
a assessoria de imprensa do Ministério da Educação, o novo reajuste faz parte
da política de aumento do número de mestres e doutores na educação superior.















