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Bairros sem asfaltos, calçadas precárias e ausência de rampas são falhas que prejudicam o trânsito de portadores de deficiência física em Artur Nogueira e região. Segundo dados do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE), dos 44.177 mil habitantes de Artur Nogueira, 22,7% possuem deficiências. Os portadores reclamam da falta de estrutura da cidade e solicitam melhorias.

Banheiro da Prefeitura vai contra o artigo 11 da Constituição
e não tem acesso a cadeirantes. Foto: Gabriela Vizine. 
O almoxarife Lázaro Domingos reside no município há 24 anos e, devido à poliomielite, utiliza muletas desde os cinco anos de idade. Segundo o morador, há rampas e lugares acessíveis no centro da cidade, porém os bairros deixam a desejar. “As calçadas dos bairros não contém acesso aos deficientes. E pior, algumas vias não têm calçadas, forçando-nos a caminhar pelas ruas. Sem contar os buracos e árvores caídas. Não tem condição”, critica.

Além dos problemas das calçadas, Domingos reclama da falta de oportunidade de emprego aos portadores de deficiência física. “Precisa-se de um curso, uma associação aos deficientes para engajá-los em diversos setores”, recomenda.

A estudante Thais Alencar também sente a falta de estrutura nos bairros. “Há certo lugares na cidade que não há como transitar de cadeira de rodas, somente de carro”, comenta. Thais usa cadeira de rodas há 21 anos e reconhece que algumas coisas mudaram a respeito, porém ainda precisa de melhorias.

O auditor fiscal e morador da região André Vedove, aponta que determinados estabelecimentos constroem vias de acesso apenas para cumprir a lei ao invés de elaborar os espaços com a qualidade necessária. “Esses dias entrei em um banheiro adaptado e minha cadeira, que é pequena, não coube dentro do sanitário”, conta.  Vedove assegura que é necessária a conscientização da população, independente da legislação e obrigatoriedade legal, para assim, obter espaços melhor aproveitados.

Semelhante a Vedove, Thais também acredita que a conscientização é um caminho partidário e que a cidade deveria dar importância aos cadeirantes. “A gente tem que aprender a lutar pelo que precisamos, não podemos esperar que as pessoas pensem o tempo todo em nós, para então providenciar devidas condições”, protesta a estudante Thais.

Prefeitura

Segundo o coordenador de comunicação da Prefeitura de Artur Nogueira, Edson Baffi, os novos projetos estão sendo desenvolvidos para 2014 e os prédios antigos deverão ser reestruturados a médio e longo prazo. “Há uma série de ações dos setores competentes prevendo a questões de ações de 2014. Não dá para mudar de um dia para uma noite”, comenta.

Em visita à prefeitura da cidade, a reportagem notou que não há acesso para os deficientes físicos, uma vez que o artigo 11 da Constituição determina que espaços públicos ou privados destinados ao uso coletivo devem dar acesso às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida.

Por Gabriela Vizine
A nova lei dos empregados domésticos aprovada em março deste ano tem contribuído para o melhor desempenho dos trabalhadores. A lei composta por 16 artigos já está em vigor em algumas capitais do país e determina jornada laboral de 8 horas diárias e 44 horas semanais. Porém, muitas domésticas ainda se sentem desinformadas quanto aos benefícios da lei.

Em vigor há seis meses, lei das domésticas garante 
hora extra, salário mínimo, 13°salário, INSS,  FGTS e
carteira assinada. Foto: Creative Commons.
“Quando paro pra conversar com as minhas amigas, que também são domésticas, percebo que elas não têm informações sobre o assunto, pois nem todas estão atentas nas mudanças”, conta a empregada doméstica Renata Costa que também diz que a lei veio em boa hora.

Conforme o advogado trabalhista Lucas Tubino, o problema é que existem duas categorias de trabalhadores recebendo tratamento desigual. “Uma tem muitos direitos e outra tem menos”, afirma.  A desvalorização das domésticas despertou a necessidade de reajuste nas leis trabalhistas dando a elas iguais condições, diminuindo assim a distância entre as outras categorias.

No entanto, o número de domésticas que ainda não trabalham com carteira assinada é bastante elevado. Segundo Tubino, “o recomendando é assinatura da mesma no primeiro dia de trabalho”, caso contrário, a profissional estará irregular.

A lei ainda garante outros benefícios como hora extra, salário mínimo, 13°salário, INSS e FGTS. Caso haja irregularidades, deve-se procurar a delegacia do trabalho e mover uma ação judicial trabalhista contra o empregador. 
Por Vasco Suamo e Gabriel Amonai 
Morar no bairro Cidade Universitária em Engenheiro Coelho (SP) está cada vez mais perigoso. Em menos de 20 dias houve três assaltos à mão armada. Os moradores do local estão preocupados com a falta de segurança e o descaso da Prefeitura com a situação.

Nos últimos dias ocorreram três assaltos à mão
armada no bairro.
O bairro é visado pela grande quantidade de estudantes e a facilidade de fuga, devido à proximidade com duas rodovias estaduais, que dão acesso a Mogi-Mirim, Limeira e Campinas. Os moradores alegam que o crescimento desorganizado do local e a falta de policiamento facilitam a ocorrência de roubos.

A dona de casa Renata Joardini foi uma das vítimas. Em casa com as duas filhas ouviu latidos do cachorro e quando foi ver, os bandidos estavam na porta. Todas foram rendidas enquanto os homens procuravam por pertences. Para a fuga, tentaram levar o carro, mas acabaram desistindo. “Tentei ligar no 190, mas caiu em outra cidade. Tive que ligar diretamente para a delegacia de Engenheiro. Os policias chegaram cerca de 40 minutos após a chamada”, desabafa Renata.

A empresária Samantha Dalcamini passou por uma situação parecida. Perto do horário de encerrar as atividades do dia, os ladrões entraram no seu comércio, renderam os funcionários e levaram os objetos de valor e o dinheiro em caixa. “Foi muito rápido. Não sabíamos o que fazer. Ficamos parados esperando que eles fossem embora”, lamenta Samantha. A empresária afirma que vai propor um abaixo-assinado para cobrar das autoridades mais segurança no local.

Na quinta feira 5 de setembro, uma estudante relatou que foi surpreendida por três homens no momento em que chegava à casa do namorado.  “Nem sei o que aconteceu. Não lembro se entreguei a chave da carro ou eles pegaram. Só sei que corri para dentro de casa chorando e gritando”, lembra. A jovem, que não quis se identificar, é moradora do local há um mês.

Nas três situações a descrição dos assaltantes foi a mesma. Três rapazes de meia estatura e uma arma. O vereador Jackson Germanowicz revela que a Policia Militar (PM) já tem suspeitos dos crimes e que as medidas necessárias estão sendo tomadas. “Nós estamos mapeando a área. Uma hora ou outra a gente resolve”, assegura Germanowicz. O vereador Wagner Ferrera conta que a Prefeitura estaria ciente dos casos e estuda providências imediatas. “Conversei com o prefeito e fui informado que a situação será resolvida em 30 dias e a PM deverá atuar mais de perto com o auxílio da Guarda Municipal”, confirma.

Nas últimas eleições, as principais propostas para o bairro Cidade Universitária envolviam questões de segurança pública. Entre as promessas estavam uma guarita da PM e câmeras de monitoramento espalhadas pelo local. O vice-presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg), Sauro Cruz, diz que havia um planejamento, mas a Guarda Municipal não seguiu. Em relação ao monitoramento, Cruz afirma que é inviável devido ao alto custo dos equipamentos. Já em relação à instalação do posto policial, ele afirma não acreditar na proposta. “A colocação da guarita é apenas uma promessa de campanha”, critica.

A Prefeitura de Engenheiro Coelho não se pronunciou sobre assunto. Apesar de nas três situações descritas na matéria o Boletim de Ocorrência (BO) ter sido feito pelas vítimas, a PM afirma que não é comum o registro de crimes pelos moradores, por isso o governo do Estado não investe no local. 

Por Karine Dias e Anamim Dias

Há quase oito anos o Senado vem tentando estabelecer a lei que proíbe venda de alimentos gordurosos e bebidas com baixo teor nutricional em lanchonetes das escolas públicas e privadas. Mas muitos educandários estão enfrentando dificuldades em substituir o cardápio, uma vez que os alunos não concordam com a decisão tomada pelo Senado. 

Se a lei for implantada, alimentos gordurosos não serão
mais comercializados em ambiente escolar.
Foto: Mariana Troc.
Atualmente, cerca de 51% dos brasileiros estão acima do peso. Segundo a nutricionista Patrícia Cardoso de Moraes, da Secretaria da Educação da Prefeitura de Engenheiro Coelho, a lei é importante pois ajudará a diminuir esse percentual. “Como as crianças e adolescentes permanecem muito tempo nas escolas, nada mais correto que estimulá-los a ter uma alimentação mais saudável dentro destes ambientes”, alegou.

Segundo o Senado, a lei deve ser um dos meios mais eficazes de redução do nível de colesterol e obesidade nas crianças, além de prevenir as doenças causadas pela gordura trans – rica em alimentos industrializados. Entre as principais estão triglicérides, obesidade abdominal, diabetes e doenças cardíacas.

Alguns pais concordam com a nova lei alegando que trará benefícios. “Com certeza ajudará na educação alimentar do meu filho”, afirma Jennifer Santana, mãe de um aluno de sete anos.

Os senadores esperam unificar a qualidade de alimentos e estimular ações de educação nutricional e sanitária nas escolas. O projeto havia sido aprovado no colegiado, mas a decisão é terminativa e precisou ser submetida ao segundo turno de votação. A medida segue agora para apreciação da câmara dos deputados.

Por Marlene Pereira Quissola
O sol já estava se pondo quando Francisco Alves, ou seu Chico, como prefere ser chamado, parou o carro ao lado de um terreno baldio no bairro Jardim Carolina, em Artur Nogueira. Após peregrinar por locais como Minas Gerais, Paraná, Goiás e São Paulo, seu Chico e a família de ciganos desceram naquele local enlameado, sem asfalto e repleto de buracos para nunca mais saírem. Sem mais migrações, aquela era a parada final. O ano era 1998.

A tradição permanece em saias longas e joias.
Foto: Isadora Stentzler
Além de Francisco, os três filhos, Igor, Cassiano e Branco, junto da esposa Sílvia desembarcaram ali naquela tarde de outubro. Quinze anos depois, o Jardim Carolina ainda é a casa de seu Chico. Mesmo com um local fixo, a família não abandonou os costumes e as tradições ciganas. Fazem parte de um contingente que diminui constantemente e possui, segundo o último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 800 mil integrantes no Brasil.

No fim de maio, a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) lançou o Guia de Políticas Públicas para Povos Ciganos. O guia, com pouco mais de vinte páginas, surgiu como meio de preencher um vazio nos levantamentos culturais e estatísticos da área. Segundo o documento, existem 291 acampamentos ciganos no Brasil, desses, apenas 40 localidades tem projetos voltados para o grupo étnico.

Apesar de acrescentar pontos como prioridade no acesso a terra, programas de saúde da família e bolsa-família, além de programas culturais, como a rede de pontos de cultura e o Prêmio Culturas Ciganas, o guia não causou grande impacto entre os ciganos. “Escutei algo sobre essa iniciativa do governo, mas acho que ela é tardia. O momento em que mais precisávamos do apoio das entidades públicas foi há trinta, quarenta anos. Hoje, o número de ciganos caiu, a quantidade de migrações decresceu e a cultura cigana foi perdendo espaço em meio ao que já existia nas cidades. Agora é muito tarde”, aponta o irmão de Chico, Miguel Alves.

Sobrevivência

Silvia em frente a casa que moram no bairro Jardim
Carolina. Foto: Isadora Stentzler.
A poucos metros dali, na divisa entre os bairros Jardim Carolina e Orlando Correia Barbosa, Miguel levanta da cama com um pulo ligeiro. Quase tão depressa quanto o movimento para acordar, Miguel se arruma e se prepara para as atividades do dia. Junto com ele, moram mais seis parentes, desde a esposa até o genro. “Em casa ninguém fica parado, todo mundo trabalha para ajudar no sustento”, revela o cigano, enquanto liga seu carro, um Gol antigo, pensando em que lugar iria.

Quase que instantaneamente, ali perto, Chico também preparava o carro dele, com pouco mais de 15 anos de uso. Sua nora, Cassiana, e dois de seus filhos já haviam saído. Na bagagem dos dois veículos estavam itens eletrônicos e aparelhos, entre outros objetos que são vendidos diariamente para o sustento familiar. “Buscamos esses itens em São Paulo e vendemos em tudo o que é lugar na região. Não é em um local fixo. As vezes vendemos bastante e outras não conseguimos comercializar nada. É assim que vamos sobrevivendo”, conta Miguel.

Enquanto o esposo sai de casa, Silvia, casada com Chico, se reúne com outras ciganas, todas vestindo saias longas coloridas, mantendo a tradição do grupo. Não é difícil para os moradores das redondezas encontrá-las em frente a sua residência na rua Sebastião Rodrigues. Elas também vendem itens eletrônicos e aparelhos para ajudar na renda da casa. Porém, a maneira de sobrevivência não os satisfaz. “É complicado viver nessa incerteza. Já tentei procurar outras formas fixas de trabalho, mas eles não aceitam de modo algum”, desabafa Chico, com o olhar fixo no chão e cabeça baixa, como que transmitindo sua fala pela expressão facial. “Dizem que devido à nossa escolaridade baixa e à idade não podem nos contratar. Para os nossos filhos já é um pouco mais fácil, são jovens, estudam, mas para nós, o negócio é aceitar”, conta resignadamente Miguel.

Tradição

Mãe cigana banha a filha de maneira tradicionalista.
Foto: Isadora Stentzler
Rio Claro, Santo Antônio de Posse e Engenheiro Coelho. Nem mesmo a distância entre os municípios dos familiares e Artur Nogueira impede que a tradição cigana fique intacta. “Ocasionalmente a família se reúne em tendas para manter a cultura”, revela Chico. Antes comum aos ciganos, a habitação em tendas e a vida peregrina ficaram para trás na família de Chico e Miguel. 

Antes de chegarem ao município “Berço da Amizade”, os dois já haviam se estabelecido em Posse. “Com as cidades crescendo e as oportunidades para os mais desfavorecidos, como a gente, aumentando, a gente e boa parte dos ciganos do Brasil resolveram ter moradia fixa”, relata Miguel.

Com o estabelecimento fixo, a nova geração de ciganos, representada pelos filhos de Chico, Igor, Branco e Cassiano, não conviveu com as mudanças e a vida em tendas. “Na minha infância chegávamos a um local, ficávamos por uns dez dias e íamos embora. Tomava muito banho de rio e andava a cavalo”, exclama a dona Francisca, parente de Miguel. “Nossa família perambulou por Minas Gerais, interior de São Paulo, Goiás e Paraná. Armamos tendas em diversos locais e, se não conseguíssemos vender bem ali, procurávamos outra área”, conta Chico. Ao olhar para o filho Igor, indo para a escola, ele não escondeu a realidade em que vivia no passado. “Isso é algo que não pude sonhar na minha infância.”

Descaso

Mesmo morando em casas, os lenços coloridos e
 brilhosos continuam decorando o lar da família cigana.
Foto: Isadora Stentzler.
Conhecidos e acolhidos pelos populares do bairro, o grupo de ciganos se sente “à vontade” no local. O desejo entre eles é unânime, como diz Francisca. “Não queremos sair daqui”. O motivo repousa, entre outras razões, no preconceito sofrido em outros locais e até mesmo na própria cidade. Com os braços cruzados e um olhar transparecendo revolta, Miguel aponta para a família e revela alguns dos estereótipos que receberam indo de “assassinos” e “ladrões” até “satanistas” e “sequestradores de bebês”. “Em certas localidades, as pessoas saíam de perto quando passávamos”.


Francisca conta que durante o período em que migravam pelo interior de São 
Paulo e de Minas Gerais, algumas das cidades em que visitavam ficavam vazias. “Divulgavam no lugar que os ciganos estavam chegando e, desta forma, todos fugiam às pressas”, desabafa. As experiências ainda deixam marcas. Seja no olhar indignado, no rosto entristecido ou no retraimento, o grupo tenta, porém não consegue esconder a revolta com os fatos. “Até hoje ninguém de algum órgão público veio nos procurar, seja para questões de moradia ou de alimentação. Quando queremos emprego, nunca existem vagas. A visão que as pessoas têm sobre ciganos é completamente errada”, aponta Miguel, enquanto observava sua esposa dando um banho na filha. Não transparecia indignação com o que sofria, mas com o que ela poderia sofrer quando crescesse. 

Por Guilherme Cavalcante e Skarlady Fernandes
Saio da 14ª Delegacia de Polícia (DP) em São Paulo, onde dois manifestantes foram presos, e caminho com um grupo para o terminal Pinheiros. Somos seis ou sete. Não faz frio. Mas também não faz calor. É um clima atípico ao clima de inverno. No caminho até o ponto, nada de futilidades. Discursos politizados e indignação com a atual gestão governamental pautavam os assuntos. Risos também. Afinal, ninguém é de ferro. Quebra-quebra? Não. Não havia vândalos ali. Grafites, sim. Mais alguns minutos e chegamos. O ônibus não tarda. “Não temos grana”, revelamos. Sem problemas. Passamos por baixo da catraca e sentamos nos bancos ao fundo. O ônibus acelera, e para. De novo. De novo. E de novo... mas é somente quando ele abre as portas na avenida Morumbi, que descemos. O destino é o Ocupa Alckmin, Palácio dos Manifestantes nº 4.666. 

O número 4.666 é uma sátira ao "4.500" do Palácio
dos Bandeirantes. "Viemos para encomodar eles",
contaram. Foto: Anna Paula Rodrigues.
Era noite de 23 de agosto. Naquela sexta-feira, cerca de 300 pessoas participaram de um ato contra a revista “Veja, fascista, sensacionalista!” em frente a editora Abril. Depois de duas prisões e as horas avançadas, não tive para onde ir – afinal, não sou de São Paulo - e fui convidada para me juntar ao grupo rumo ao Ocupa.

Se olhasse só de fora, veria apenas lonas. Negras, amarelas e azuis. E para muitos dos “burgueses” que moram no Morumbi, o local não passa disso. Um amontoado de lonas negras, amarelas e azuis. Mas para os inúmeros jovens que já circularam pelo local desde o primeiro dia, o Ocupa é um símbolo de resistência. “Já fazem três semanas que estamos aqui”, me contou Laila Manuelle, 24. “E não vamos sair tão cedo.”

Cada conversa, só reforçou a ideia de que o Palácio dos Manifestantes não está lá para enfeiar o bairro nobre, mas para embelezar a democracia. O que vale também para os grafites. Nos primeiros dias, a fachada do Palácio dos Bandeirantes, nº 4.500, foi decorada com palavras de ordem. “Idiotice é escrever seu nome, agora, escrever uma mensagem, aí sim!”, pontuou um dos ocupantes que vira e mexe usava os sprays para retocar alguma frase nas lonas. Mas naquele dia, as paredes amarelas do Palácio já estavam repintadas e, segundo um manifestante, com algumas câmeras a mais.

O que encontrei ali é o fruto de uma manifestação do dia 2 de agosto. Na época, um grupo saiu do Masp, na avenida Paulista, em direção ao portão 2 do Palácio, onde ficaram. Não sem motivo. Pelo contrário. A indignação popular era tamanha, que materializou em barracas as reivindicações contra a gestão do atual governador Geraldo Alckmin. A arbitrariedade da polícia militar, que fez lembrar episódios como a desocupação do Pinheirinho e o massacre do Carandiru, ainda entalados na garganta de muita gente, serviram para frisar o descaso do governador. Além dos “R$ 777,5 milhões roubados do contribuinte”, lembrados numa faixa na entrada no local.

Aquilo então que começou com algumas barracas, ganhou uma estrutura de cabos de aço, arames, cordas e paus e se transformou no Palácio dos Manifestantes.

Rotina? Não. Luxo? Não. Desordem? Também não. O Ocupa funciona assim. Para entrar, é preciso “deixar de lado o ego”, pois o sistema é horizontal. Ao menos era isso que indicava um quadro de giz em cima de duas grandes caixas de isopor logo após a “lona” de entrada.

Lar Ocupa

Deixada na entrada do local, o quadro indica que todos
são bem-vindos desde que mantenham a humildade.
Foto: Isadora Stentzler.
Um por todos e todos por um. É clichê, mas é assim que funciona. No sábado, logo após o almoço de arroz e macarrão com pouco molho, chegou a hora da limpeza. Ninguém fugiu. Um guardou a sacola de comida, dois buscaram cerca de 10 garrafas de água a 300 metros do Ocupa, outros lavaram a louça, e eu e mais dois varremos e dobramos as cobertas.

“Aqui a gente entende o que realmente tem valor”, começa a me explicar Laila. “Por exemplo, água é importante? É, água é importante. Comida é importante? É, comida é importante. Saneamento básico é importante? É, saneamento básico é muito importante.Comunicação é importante? É, comunicação é importante. Agora, carro é importante? Não, carro não é importante.”

Para se manter no local, diferente do que publicou a revista Época na matéria “Inimigos da democracia” na edição de 12 de agosto, o grupo conta com doações que nada tem a ver com R$ 70 por dia ou carne e cerveja à noite, indicados pelo semanário. “Se fosse assim eu nem ia mais pra casa!”, brinca o estudante de arquitetura Henrique Rosse, 20. Coincidentemente, naquele dia (24), duas caixas de bananas foram doadas. Mas não só isso. Iogurte, energético, torradinhas, pão, pão doce, suco e frios também chegaram. “Na maioria das vezes não sabemos quem mandou. Mas aceitamos”, me contaram. Entre os utensílios que já receberam estão o gerador de energia, modem roteador para internet wi-fi, cobertores, fogão, barracas e livros – o grupo possui uma “biblioteca livre” com clássicos da literatura brasileira para as horas vagas.

Porém, nem sempre eles ganham tudo. “As vezes a gente racha com a galera e compra algo”. “Mas e se alguém não pode ajudar?”, pergunto. “Aí não ajuda, a gente não obriga ninguém”, me respondeu Laila.

Sempre que precisam de alguma coisa, eles também postam na página oficial do Ocupa Alckmin no Facebook – mesmo nome – as necessidades. E agradecem de forma geral, já que em algumas ocasiões os ajudadores ficam no anonimato.

Ocupam porque sim

Lonas grafitadas são a decoração externa e o desabafo
dos ocupantes que estão no local desde 2 de agosto.
Foto: Anna Paula Rodrigues. 
A fim de permanecer no local, alguns manifestantes contrariaram chefes e familiares. Uma das moças com quem conversei disse que quando o Ocupa começou ela estava terminando o período de estágio numa empresa. Mas parou de ir. Quem sabe porque os futuros patrões não entenderiam. Além do emprego, ela disse que a relação com a mãe não ficou das melhores. “A gente se via pouco mesmo”, frisou. Para não voltar seguidamente para casa, ela, assim como outros manifestantes, iam até um shopping próximo para tomar banho, e depois voltar ao Ocupa.

Mas isso não é regra. A mãe do estudante de design gráfico Pedro Henrique, 25, por exemplo, participou das lutas da ditadura contra o poderio militar. Ela entende e apóia a atitude do filho como sendo a vez dele de reivindicar pela mudança no país.

É por isso que permanecer no Ocupa não é vandalismo, nem vadiagem. Mesmo que alguns carros da zona nobre passem xingando os manifestantes, inclusive a mim que estava com o grupo naquele dia, ainda há pessoas que entendem o significado da permanência e compartilham dos ideais dos ocupantes.

Mas até quando ficarão por lá? Nem eles sabem. Se o medidor para isso for a vontade de lutar, estes guerreiros da democracia não arredam o pé tão cedo. Não porque eles não têm para onde ir, mas porque em alguma rua há alguém que não tem - vítima do vandalismo de um Estado que não dá acesso as condições básicas para viver.

Sendo assim, eles permanecerão, afim de pregar que: “Entre a burguesia que oprime e a favela que é oprimida, nós defendemos a igualdade de direitos sociais” – Palácio dos Manifestantes, número 4.666.

Por Isadora Stentzler
Funcionários de algumas empresas de transportes públicos entraram em greve na região metropolitana de Campinas (RMC) na sexta-feira, 9 de agosto. Aproximadamente 250 mil passageiros foram prejudicados com o ato.  As cidades de Artur Nogueira, Engenheiro Coelho e Cosmópolis também foram afetadas.

Passageiros ainda reclamam da qualidade e quantidade de
 ônibus da RMC.  Foto: Amanda Flores.
O motivo da paralisação estava relacionado à mudança no convênio médico dos funcionários que hoje é de R$ 79 mensais com desconto de 45% do plano de saúde na folha de pagamento. Antes a ajuda era de R$ 71 semanais.

Mesmo o ato não tendo ligação aos protestos de junho, no que diz respeito à qualidade e preço das tarifas dos transportes, o público atingido voltou a mencionar a questão da qualidade dos coletivos na região. “Mesmo depois dos protestos, as companhias de transportes públicos não fizeram quase nada para melhorar os veículos”, comenta a universitária Nathália Lima.

Além da qualidade, as pessoas reclamam da quantidade de transportes que circulam na região de Artur Nogueira e Engenheiro Coelho. “Acredito que as empresas poderiam aumentar o número de veículos que percorrem a região, principalmente nos horários de pico”, julga a estudante Janaína Toleto. “É pouco ônibus para muita gente que faz uso desse meio.”

Já o universitário Douglas Pessoa acha que a quantidade de transportes continuará a mesma, mas acredita que se fosse acrescentado um micro-ônibus a cada meia hora que um ônibus circula, facilitaria muito a vida dos passageiros. “Eu e um amigo quase passamos a noite na rodoviária de Artur Nogueira porque não havia ônibus circulando depois das 21h”, comenta.

A Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) e a empresa VB Transportes de Campinas foram procuradas para falar a respeito da qualidade e horários de ônibus que percorrem a região, mas nenhum responsável foi encontrado.

Por Mayra Silva e Manuela da Costa
Um estudo realizado pela Previdência Social e encaminhado ao Congresso Nacional revela que o Brasil terá dificuldades para custear as aposentadorias. A queda na taxa de natalidade e o aumento da expectativa de vida serão os responsáveis pelo problema. De acordo com o estudo, o déficit em 2050 será de 5,6%, 20 vezes superior ao atual.

A previdência privada pode conceder renda mensal no
 futuro. 
A especialista em direito previdenciário Gabriela Bettelli Lopes conta que a estruturação familiar atual reflete negativamente sobre a Previdência Social. “A opção de não ter mais filhos pode até suavizar as finanças, porém, sob a visão previdenciária, acarretará em um rombo nos cofres públicos”. Gabriela também acrescenta que o sonho da tão esperada aposentadoria do INSS pode estar terminando. “A esperança que está aos olhos se chama previdência privada, que a meu ver sempre foi a melhor opção.”

O advogado José Carlos Fragoas Pimenta acredita que no Brasil faltam cultura e informações necessárias para a utilização da previdência privada. Para ele, essa é a única oportunidade de garantir uma aposentadoria segura devido ao envelhecimento iminente da população. “Esta situação, a meu ver, irá refletir, em um futuro próximo, no aumento de contribuição do INSS sobre os ativos, no aumento de idade para as futuras aposentadorias e na redução dos benefícios pagos pelo INSS,” alerta. Atualmente, para cada aposentado, há 5,3 pessoas economicamente ativas. Em 2050 esse número se resumirá a 1,8. 

Hoje, o déficit da previdência é de 0,86% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2016, alcançará o seu menor índice, 0,23%. Nos próximos anos irá crescer até chegar a 3% em 2040 e 5,6% em 2050.

A previdência privada é um sistema que acumula fundos e possibilita ao “investidor” receber uma renda mensal no futuro.

Por Karine Dias
Entrou em vigor na segunda-feira, 10 de junho, a nova lei que obriga qualquer comércio especificar sete impostos que estão no valor do produto. O objetivo dessa nova nota fiscal é deixar o consumidor ciente do preço real da mercadoria e o quanto é pago em taxas acima do valor. Para muitos comerciantes a regulamentação ainda é confusa.

A nota fiscal deve ter o detalhamento de
 sete impostos pagos sobre o produto.
Em nota divulgada no dia 10, a Casa Civil informou que a responsabilidade da regulamentação e fiscalização da Lei Federal 12.741 será da Secretária da Micro e Pequena Empresa. A Casa Civil também encaminhou uma proposta ao Congresso pedindo prazo de um ano para que as penalidades sejam aplicadas em quem não cumprir a lei. Por enquanto, todos os comerciantes serão auxiliados pela Secretária. O Procon também deve ajudar nas orientações.

O estudante universitário Marcos Lamarques, conta que a nova lei vai ajudar o consumidor a saber exatamente o que esta pagando. “A nova lei vai trazer mais esclarecimento para quem estiver comprando alguma coisa. Vamos saber realmente o preço do produto e quanto estamos pagando de impostos”, explica.

Já o estudante Lucas Serain, não acredita em melhorias. “O consumidor vai saber quanto paga de taxas em cima de produtos. Acho que nada mais vai acontecer, com a nova lei ou não, os impostos não devem baixar”, comenta.

Apesar do prazo para a lei entrar em vigor, muitos comerciantes não estavam prontos para atender as novas exigências. Segundo assessoria de imprensa da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), os comerciantes que não praticarem a nova lei terão um ano para instalarem softwares necessários para o cálculo dos impostos que devem estar na nota fiscal. Após esse prazo, a regulamentação prevê multa e até mesmo o fechamento do estabelecimento.

A nova lei exige que sete tributos sejam mostrados ao consumidor na nota fiscal: IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), PIS/Pasep (Contribuição para o Programa de Integração Social), Cofins (contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e ISS (Imposto sobre Serviços).

Por Peter Erick Goldschmidt
O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, divulgou que há necessidade de importar médicos para atuar em áreas carentes do Brasil. A possibilidade que está sendo estudada inclui Espanha, Portugal e Cuba como países em potencial para exportar médicos que atuem sem a necessidade do exame de validação do curso. O Ministério da Saúde informou que, na última década, o Brasil abriu 124 mil postos de trabalho, mas formou apenas 93 mil médicos.

Parte dos 6 mil médicos cubanos solicitados pelo Brasil 
são formados na Escola Latinoamericana de Medicina.
Segundo o diretor administrativo do Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa), João Gouveia, os representantes da categoria no Brasil já se posicionaram a favor da vinda desses novos profissionais, mas são contra a isenção do processo de convalidação do curso. “Trazer médicos de outros países sem atestar sua qualificação é submeter a população ao risco de ser atendido por pessoas de formação duvidosa”, alega Gouveia.

Os estudantes no exterior também apoiam o projeto do Ministério da Saúde, mas desaprovam a possibilidade da revalidação do diploma ser negligenciada. Felipe Sulger estuda medicina na Bolívia e acredita que há um preconceito por parte da mídia e do Conselho Regional dos Médicos do Brasil por perderem muitos alunos para os países vizinhos. Porém, Sulger admite que o curso no exterior apresenta falhas. “Estudo em um país de baixo nível acadêmico e recursos financeiros, então a questão a ser debatida é que tipo de profissional está sendo formado”, lamenta.

Para o ministro da Saúde, não há necessidade da validação do curso, pois esses reforços só poderão atuar em locais escolhidos pelo governo e pelo tempo máximo de três anos. A importação de médicos é considerada favorável pela facilidade com o idioma, a alta qualidade na formação e a crise econômica que as nações ibéricas estão enfrentando. Na Espanha, há cerca de 20 mil profissionais da área desempregados.

Em 2012, a prova de revalidação do curso de medicina reprovou mais de 90% dos estudantes, incluindo os candidatos dos países de onde serão importados novos profissionais.

Karine Dias

Por: Gabriela Vizine

Os moradores do bairro Cidade Universitária, em Engenheiro Coelho, criticam a falta de manutenção da fossa localizada na vizinhança. A água, segundo moradores, transborda há cerca de oito meses e percorre a rua parando na frente da casa dos residentes que, irritados, jogam terra por cima na tentativa de solucionar o problema. Algumas reinvidicações já foram feitas, entretanto, sem sucesso. 

Problema com a fossa não é resolvido há meses.
Foto: Gabriela Vizine.
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Muitas crianças passam pelo local. Lucineide Araújo possui um filho e teme que a água jorrada possa estar infectada. “A situação da fossa está horrível, ela pode transmitir doenças para as crianças que brincam aqui na rua”, comenta a dona de casa.  Além do descaso com as crianças, o odor produzido incomoda os moradores. “Quando bate o sol, o cheiro fica insuportável. Tinham que tomar uma atitude de qualquer maneira”, recrimina o pedreiro Edson Oliveira.

Uma vez por semana, há funcionários que esvaziam a fossa, todavia, o problema não é solucionado. A estudante Carol Sberavatti conta que um conserto foi feito, mas que ao invés de reestruturarem a rede de esgoto, apenas um cano foi trocado. Assim, toda vez que algum morador utiliza a torneira de casa, a fossa transborda novamente. “Eles não estão nem aí. Nós pagamos aluguel e assinamos contrato para a manutenção e administração da propriedade. Já vi muitas baratas rodando o local”, comenta indignada.

O representante da Vigilância Sanitária, David Forner, declara que a fossa pode ter água contaminada, mas o dono não entrou com o recurso requerido pela vigilância. “Estou encaminhando um relatório para o setor jurídico a respeito do caso que provavelmente poderá arcar multa e demais providências, de acordo com avaliação do jurídico e do prazo estabelecido”, relata Forner. 

A presidente da associação do bairro, Lucia Ketleen, conta que vai levar o exame à prefeitura, se ela não resolver, levará ao Ministério Público. “A caixa que há ali é pequena e insuficiente para a quantidade de pessoas que habitam no local. Além disso, ela precisa de limpeza com frequência”, explica Lucia.

A secretária da imobiliária Galindo Imóveis, Ana Medeiros, assegura que o caso foi passado à prefeitura e que a água que sai da fossa, ao contrário do que defendem os moradores, não é do vaso sanitário. “A responsabilidade da fossa não é da imobiliária e sim do proprietário, nós apenas recolhemos o aluguel”, aponta.  

De acordo com o advogado Carlos Hees, a imobiliária não é responsável pelo imóvel do inquilino, e que a responsabilidade por esse tipo de manutenção é do proprietário. “A imobiliária deve ser a ponte de comunicação entre inquilino e morador, que pode até mesmo ser indenizado”, pontua Hees. Já o advogado Carlos Ferre, aconselha ao morador contatar o proprietário e solicitar a manutenção devida do problema. “Ele [o dono] poderá pagar os reparos ou abater no aluguel o gasto feito pelo morador”, recomenda Ferre.

A equipe da Agência Brasileira de Jornalismo (ABJ) tentou entrar em contato com o proprietário das casas, responsável pela fossa, porém não conseguiu conversar com o mesmo.
Por: Douglas Pessoa

Todas as bolsas cedidas pelo governo para cursos de pós-graduação sofrerão um reajuste de 10% a partir do mês de maio. Isso significa que os estudantes que se dedicam exclusivamente para pesquisa e construção de teses com auxílio financeiro da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão responsável pelo comando de todos os cursos Latu Sensu e Stricto Sensu, serão beneficiados com o aumento. A medida também vale para brasileiros que estudam no exterior. 

Governo incentiva cursos de pós graduação
para dinamizar mercado. Foto: Bruna Perales.
Segundo levantamento do Ministério da Educação, em 2012 foi oferecido pela Capes e pelo CNPq mais de 125 mil bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado. Se for somado o número de bolsas do Programa Institucional de Iniciação à Docência o número chega a 127 mil. Após o atual reajuste as carteiras serão, respectivamente, nos valores de R$ 1.500, R$ 2.200 e R$ 4.100. 

De acordo com a Associação Nacional dos Pós-Graduandos, o reajuste pode ser considerado como uma conquista, uma vez que a maior parte desses estudantes depende exclusivamente da bolsa para se manter. Para o professor Walter Mendes, que cursou doutorado em Língua Francesa pela USP, fazendo pesquisa como bolsista da Capes na Université Paris VII, na França, os valores das bolsas são suficientes para a manutenção do estudante na Europa. “O custo de vida lá não é tão alto quanto as pessoas imaginam, e há muitos incentivos e descontos para os estudantes nesses países”, comenta. O professor também concorda que “a quantidade de bolsas é razoável.”

Mendes lembra que o fato de fazer uma pós-graduação fora do Brasil, especialmente na Europa, não deve ser encarado como um passeio turístico por um estudante que se mantém através de bolsa. “Obviamente, não é uma bolsa turismo, e o aluno que quiser viajar pelo continente terá de organizar muito o seu orçamento”, alerta. Outro problema mencionado pelo professor é que a bolsa não é uma substituição do emprego: “É um auxílio concedido pelas agências de pesquisa para que o pós-graduando se dedique integralmente ao trabalho que desenvolve.” 

O reajuste também engloba estudantes do programa Ciência sem Fronteiras do governo federal. Em janeiro deste ano, a presidente Dilma precisou intervir, devido ao atraso repasse de dinheiro para pós-graduandos, na University of East London, no Reino Unido. Cerca de 35 bolsistas estavam sem receber, desde setembro de 2012, 400 libras para despesas. Em socorro a universidade britânica concedeu empréstimos emergenciais de 500 libras. 

Segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Educação, o novo reajuste faz parte da política de aumento do número de mestres e doutores na educação superior.
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