Fazer o Trabalho de Conclusão de Curso
(TCC) não é uma tarefa das mais fáceis mesmo quando se tem um vasto conteúdo a
ser estudado. Agora, mergulhar em um tema do qual não existem bibliografias
específicas para o assunto escolhido, pede um pouco mais de responsabilidade.
Essa foi a vontade dos alunos Bruno Younes e Érika Preissel, formandos do curso
de licenciatura em História do Centro Universitário Adventista de São Paulo
(Unasp), campus de Engenheiro Coelho. Eles tiveram embasamento bibliográfico,
mas resolveram dar uma abordagem diferenciada ao tema. Os dois se aventuraram
em um assunto pouco difundido por escritores e escolheram a pauta “Catolicismo
Negro no Brasil colonial” para encerrarem a graduação.
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| Santos negros foram criados para atrair escravos ao catolicismo. Foto: Arquivo pessoal. |
A disciplina “Brasil Colonial” foi o
incentivo para o aprofundamento do tema. A partir de então, os alunos buscaram
referências e especificaram o assunto com o objetivo de se aprofundar na
questão da participação do negro na religião. A
Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, em Mariana, Minas Gerais, foi o
foco do estudo. Os brancos queriam que os negros, à época escravos, se sentissem
como parte da sociedade, mas sem perder a cultura, e, por isso, utilizavam de
alguns métodos para atraí-los. Para
isso, alguns santos negros foram criados para incentivá-los na participação da
religião e, com o fervor demonstrado, os brancos também se interessaram pelo
catolicismo.
O estudo levou 14 meses
para ser concluído. O fato de não encontrarem a bibliografia específica para o
tema deixou os alunos com receio, mas a visita à cidade de Mariana conseguiu
esclarecer dúvidas e dar a certeza de que estavam tendo a abordagem correta.
Mestre em Memória Social e Patrimônio Cultural, a orientadora do TCC, Janaina Xavier, instruiu os dois
alunos no aprofundamento do assunto. Ela afirma que a pesquisa fez uma
contribuição para a revisão da história do negro no Brasil. “A pesquisa
realizada traz uma temática atual, pertinente e que colabora para uma nova
historiografia brasileira, mais inclusiva e de acordo com a realidade,
dando voz para os diferentes atores dessa história, sem privilegiar nenhum
grupo em específico”, valoriza Janaina.
Na apresentação do trabalho final, a banca,
formada por professores do curso, elogiou o estudo, a forma como foi escrito e
o embasamento dado. Pela sugestão dos avaliadores, o material será publicado
pela Imprensa Universitária adventista (Unaspress).
Por Karine Dias
A Viação Bonavita (VB) Transportes, é uma tradicional
companhia de viagens da região de Campinas e São Paulo. Atuam no setor em
linhas rodoviárias, urbanas e suburbanas. Mesmo contando
com aproximadamente 3,6 mil veículos espalhados pelas regiões de Campinas,
Indaiatuba, Registro, Peruíbe, entre outras, vêm decepcionando
moradores da região, tanto com falta de ônibus, quanto com falta de infraestrutura.
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| Superlotação é um dos problemas da VB. Foto: Vinícius Serain. |
O principal problema diagnosticado pelos passageiros é
em função da falta de carros em horários não convencionais (fora do horário de
pico), entre às 14h e às 17h. Principalmente para quem volta de Campinas
para cidades vizinhas como Cosmópolis e Artur Nogueira.
Muitas empregadas domésticas precisam do transporte
público justamente neste horário, e têm uma longa espera para voltarem às casas.
“Temos dois lares pra cuidar: o nosso e dos patrões”, desabafa a empregada
doméstica Inês Serrano. ”Esperar mais de uma hora pela condução já é triste,
ainda mais com ar condicionado quebrado, ou com buracos que permitem entrada de
chuva!”
As reclamações quanto a infraestrutura também são
extensas. “O transporte Bonavita está um caos! Ônibus quebrados,
motoristas mal educados, atrasos constantes e até mudança de rota.” A denúncia
é de uma internauta que fez sua reclamação no Fala Cidadão do
portal Quanta Notícia.
Outra senhora que não quis se identificar, se
manifesta constantemente no número telefônico fornecido pela empresa para
reclamações. Cansada de tanto descaso, também enviou fotos para vários canais
de comunicação tiradas dos ônibus que fazem a linha 600 (Indaiatuba/Campinas) –
motivo de tantas reclamações.
Em uma das imagens a usuária destaca a lixeira no
interior do ônibus que, em uma das viagens, caiu repentinamente quase atingindo um idoso que
estava em pé no interior do veículo. “Não havia lugar para ele se sentar devido
à superlotação. O problema é antigo, a passagem é cara e as autoridades locais
precisam tomar providências urgentes!”
Fundada em 1927, a Viação Bonavita, também passou por denuncias de
corrupção. Em 2011, houve uma paralisação de cerca de 800 trabalhadores da VB, totalizando 258
veículos parados. O protesto aconteceu devido à demissão de três cobradores
que foram pegos em flagrante por um fiscal da Empresa Municipal de
Desenvolvimento de Campinas (Emdec).
Os cobradores faziam o chamado “cabrito”: deixavam os usuários que já tinham
pagado na parte da frente do ônibus sem passar pela catraca. O dinheiro
recebido era guardado pelos próprios cobradores que não devolviam para o caixa.
Acidente
O recente acidente do dia 19 de setembro
deixou 33 pessoas feridas em Campinas. Um motorista de ônibus da empresa VB,
que teria sido fechado por um veículo de passeio, perdeu o controle e bateu
contra um muro. Das vítimas, duas foram levadas em estado instável para o
Hospital da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O veículo estava
superlotado.
As Empresas Metropolitanas de
Transportes Urbanos (EMTU) são entidades criadas para gerir o
planejamento e gerenciamento de transportes públicos. A Região Metropolitana de
Campinas (RMC) - vertente da EMTU - tem sofrido veementes críticas através do
código de defesa ao consumidor e até o momento tem se ausentado perante esses
manifestos.
Por Vinícius Serain
A elevação do preço de imóveis em determinados bairros é uma tendência comum nas cidades brasileiras. Instalação de hospitais, shoppings, universidades e supermercados são os motivadores para que casas e apartamentos passem a valer mais. Um exemplo disso é o bairro Itaquera, na zona leste de São Paulo. No local está sendo construído uma das maiores arenas de futebol do Brasil para a Copa do Mundo Fifa 2014. Segundo moradores da área, um apartamento de dois quartos era vendido, antes do início das obras do estádio, por no máximo R$ 80 mil. Hoje, vendas na mesma localidade não são feitas por menos de R$ 200 mil.
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| Imagem Creative Commons. |
Especulação imobiliária é o nome dado à prática de se adquirir um imóvel em um determinado bairro com objetivo de vendê-lo, depois de um determinado tempo, com o preço mais elevado. Segundo o arquiteto Renato Saboya a especulação imobiliária se torna um grave problema para as cidades por gerar desarmonia no tecido urbano. “Os bairros mais ‘especulados’ se tornam mais urbanizados que os outros, fazendo com que a cidade tenha áreas bem estruturadas e outras sem nem saneamento básico”, afirma. “O próprio governo cai na tendência de cuidar mais dos bairros que tem intensa especulação imobiliária.”
No entanto, esse não é o caso do bairro Cidade Universitária, em Engenheiro Coelho. O local tem a maior especulação imobiliária do município por se localizar ao lado do único campus universitário da cidade, o Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp). Todos os anos vários estudantes chegam ao bairro, e aos condomínios próximos a ele, à procura de residências para morar no período letivo. Com o passar dos anos, a fama de ser um bairro tranquilo e bem próximo ao Unasp chamou a atenção de especuladores imobiliários.
De acordo com um aluno que mora no Universitário (como o bairro é comumente conhecido), o valor cobrado em um aluguel de uma kit net ou edícula não custa menos que R$ 400. O mesmo valor que um estudante de São Paulo paga por uma residência próxima à Universidade Mackenzie, a poucas quadras de uma estação do metrô, por exemplo. Preço com o qual é também é possível pagar, dividindo espaço com mais duas pessoas, um apartamento de dois quartos na rua Consolação – que fica no centro de São Paulo e próximo à avenida Paulista.
Segundo a estudante de jornalismo do Unasp Karine Dias, que mora no bairro Universitário e paga R$ 380 pelo aluguel, é muito difícil encontrar locais para morar que sejam abaixo desse preço. “O meu apartamento é o mais barato que tem por aqui. Mas os valores geralmente estão na faixa dos R$ 450”, comenta.
Os abusos nos preços não se restringem apenas ao bairro Universitário. Nos três condomínios que circundam o campus do Unasp, os abusos nos preços continuam. No condomínio mais antigo da cidade, o Lagoa Bonita, onde habita boa parte da classe alta de Engenheiro Coelho, só é possível morar em uma edícula quem desembolsa mensalmente algo em torno de R$ 400. O condomínio atrai alguns alunos pela proximidade com o Centro Universitário.
Para o aluno Rodolfo Sousa, morar no Universitário é vantajoso, já que ele consegue pagar alimentação, internet e residência mobiliada com cerca de R$ 400. No entanto, Sousa denuncia que o mesmo valor é cobrado no condomínio fechado, numa taxa que não garante as mesmas vantagens. “Parece que no Lagoa eles querem cobrar pelo status de morar lá dentro. Enquanto o que eu pago cobre quase todas as minhas despesas, lá é cobrado em torno de R$ 470 só com energia e água.”
Por Douglas Pessoa
Estudo realizado pelo Instituto Paulo
Montenegro e o Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf) para o ano 2013
revela que 30% da população de Campinas é analfabeta funcional. Os resultados
foram expostos em evento da Federação das
Entidades Assistenciais de Campinas (Feac) pela comemoração da 4ª Semana
de Educação do Município no dia 5 de novembro.
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| Evento da Feac. Foto: Katherine Changanaquí. |
Rose Rosendo, gerente de atendimento e
planejamento do Ibope Inteligência acredita que a situação em Campinas é muito
similar a do cenário nacional. No entanto, por ser uma cidade grande e de bom
nível econômico na região Sudeste, os resultados não foram os ideais. “Campinas
é uma cidade do interior, mas é uma cidade rica. Esperava-se que o desempenho
da população fosse melhor”, admite.
A porcentagem de analfabetismo
funcional foi produto da soma do percentual de 3% da população considerada totalmente
analfabeta e 27% da população com alfabetismo rudimentar, ou seja, pessoas que
conseguem ler textos simples e realizar operações básicas. Nas definições do
Instituto Paulo Montenegro uma pessoa que não está funcionalmente alfabetizada
pode ou não realizar atividades do cotidiano, como fazer um cálculo ou receber
um troco, mas nem sempre consegue interpretar textos e números. Eles criam uma dependência
de outras pessoas para realizar atividades do dia a dia, o que complica mais a
situação.
Entre
os principais problemas que afetam o sistema educativo da cidade estão a
infraestrutura das escolas e a falta de preparação adequada dos professores
como alfabetizadores. Maria Helena Guimarães Castro, especialista em avaliação
educacional, explica que instalações adequadas para o ensino é um fator que
influencia no processo de aprendizagem. “Temos projetos de educação e escolas,
mas nossos alunos não estão interessados em aprender”, afirma.
A especialista e socióloga também
manifesta a sua preocupação com a qualidade das pesquisas para detectar o nível
de alfabetização. Ela enfatiza que o mercado de trabalho está cada dia mais
exigente e que os testes para identificar se somos capazes de ler ou não, refletem
com pouca clareza se os estudantes estão prontos para enfrentar o mundo
profissional. Para ela, novas pesquisas e melhorias na qualidade dos cursos
ofertados são urgentes e necessárias para preparar os estudantes frente às mudanças
na educação.
Maria Inês Fini, consultora da Fundação
Feac para o Compromisso Campinas pela Educação, concorda com Maria Helena. Ela
afirma em evento da Feac que é possível perceber uma geração talentosa de jovens
que estão sendo educados da maneira errada para se desenvolver na sociedade. Em
consequência, o processo de alfabetização sofre um estagnamento do ensino médio
ao superior. “Estudantes são enviados as universidade sem ter um nível de
alfabetização e interpretação de dados adequado. Essa é uma situação crítica e
preocupante”, desabafa.
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| Evento da Feac. Foco: Katherine Changanaquí. |
No encontro também foi apresentada uma
análise dos estudantes inscritos no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) deste
ano. O professor Dalton Francisco de Andrade e o pesquisador Adriano Ferreti
Borgatto foram os autores do estudo. Uma das conclusões apresentadas é a de que
o desempenho dos estudantes em Campinas é superior aos níveis estaduais da região Sudeste. Segundo Dalton, estes dados
nem sempre refletem a realidade dos estudantes em termos de desenvolvimento
laboral no futuro.
Nas opiniões de Andrade, Maria Inês e os
outros participantes do projeto Campinas Compromisso pela Educação a criação de
novos testes para o análise dos estudantes e o maior investimento em educação é
urgente. “Acreditamos que a infraestrutura e qualidade de ensino precisam ser
as melhores. E deixamos de perceber que aquilo que é considerado ‘melhor’ é o
necessário”, declara Andrade.
Nas conclusões do estudo, considerou-se
a necessidade de impulsionar o processo de alfabetização em busca da formação
de uma população apta para conseguir um emprego e uma sociedade democrática. “Uma
pessoa que precisa de outra para enxergar e entender o mundo não tem livre
escolha e isso não é democracia”, acrescenta Maria Inês.
Além do município
No ano 2003 o mapa do analfabetismo
funcional do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais realizado
na Região Metropolitana de Campinas (RMC) indicava que Campinas era o município
com o menor índice de analfabetismo funcional (14,5%).
Já Santo Antonio de Posse tinha o maior índice (29,3%). Outras cidades com alto
nível eram Artur Nogueira (23,3%), Engenheiro Coelho (27,9%) e Holambra
(22,6%).
Sete anos depois as
estatísticas do IBGE do ano 2010, segundo a Pesquisa Nacional de Domicílios (PNAD),
mostravam as seguintes porcentagens em relação ao analfabetismo absoluto na
RMC: Santo Antônio de Posse, 6,45%; Engenheiro Coelho, 7,12%; Holambra, 4,51%,
e Artur Nogueira, 4,59%.
Frente a esta realidade
diversos programas criados pelos governos foram postos em prática. Projetos
como Todos pela Educação estabeleceram objetivos para erradicar o analfabetismo
até o ano 2022. Os municípios de RMC como Engenheiro Coelho e Campinas
atualmente fazem parte destes processos.
No entanto os dados atuais expressam
uma realidade diferente. Rose Rosendo, do Ibopw, assume que é impossível
comparar os dados do passado com os atuais por se falar de contextos
educacionais diferentes. No Brasil o nível de analfabetismo funcional é de 27%.
Já em Campinas é de 30%. Para os especialistas da educação, a cidade de
Campinas reflete a realidade nacional e, portanto, medidas para sanar este
desafio educacional no país serão refletidas no nível de analfabetismo
funcional da cidade.
À direita da Avenida Consolação, na Amaral Gurgel,
estão 20 gigantes de seis metros que tomaram o elevado Costa e Silva em outubro. Descoloridos, enfileirados
e sérios. Se trata da exposição Giganto, da fotógrafa gaúcha Raquel
Brust, parte do Festival de Fotografia PhotoEspaña.br. A mostra conta com
retratos de moradores do local e pretende criar interação entre obra e público.
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| Imagem da DJ Sandra Gabby na exposição Giganto. Foto: Isadora Stentzler. |
“Esse me é familiar”, comenta o comerciante Alan
Janes, 63, apontando para a primeira fotografia da exposição abaixo do elevado.
“Mas agora não lembro quem é. Se reparar mais a partir de hoje acho que o
reconheço.”
No bar, ninguém sabia o paradeiro. No salão de
beleza, também não. A mulher de saia que visitava o local no sábado
(26) tampouco. Para muitos dos moradores vizinhos do elevado Costa e
Silva, também conhecido como Minhocão, aqueles retratos são mitos da região. Um
fenômeno, porém, que não acontece com a mulher exposta na oitava pilastra.
“Se eu conheço ela? Conheço sim, é do teatro”,
conta a moça da banca de revistas. A idosa de batom, blusa social listrada e
séria é freguesa no “Buteco no Tigrão”. “Às vezes almoça, às vezes só toma
café”, revela o atendente. O nome dessa giganto é Gabby. Sandra Gabby. Mas para
os amigos do Minhocão, é a Gabby do teatro. Uma atriz e DJ de 88 anos que dá
aulas de interpretação ao lado do elevado.
“Sou a DJ mais velha do Brasil”, se
orgulha. O amigo Marcelo Mendes, 40, e proprietário do teatro Paiol,
acrescenta: “Enquanto estou no quarto sono, ela está batendo perna por aí.”
Gabby já tocou em bares da região do Bixiga, Frei Caneca e na Augusta, ficando cerca
de sete horas mixando sons no
aparelho de DJ. “Uma mulher muito animada. Bem diferente daquela séria que
aparece na fotografia”, pontua Mendes.
A escolha pela carreira há três anos veio de duas maneiras. Uma pela decepção com o teatro atual e a outra por influência da irmã Thelma Lima, 83. “Eu nunca toquei em público”, conta a irmã. “Mas ela toca.”
A escolha pela carreira há três anos veio de duas maneiras. Uma pela decepção com o teatro atual e a outra por influência da irmã Thelma Lima, 83. “Eu nunca toquei em público”, conta a irmã. “Mas ela toca.”
Assista ensaio da DJ Sandra Gabby
Logo que o Giganto foi exposto, Mendes percebeu o
retrato da DJ e identificou que havia cola em excesso na fotografia dando a
impressão de baba. “Então peguei um pano e limpei”, descreve. O cuidado com a imagem representa o carinho
que ele e outros vizinhos sentem pela atriz.
Segundo a idealizadora do projeto, Raquel Brust, o
processo de escolha dos fotografados foi um trabalho de campo. O encontro com
Gabby, no entanto, foi acidental. “Estávamos procurando janelas para filmar o elevado e encontramos ela por
indicação do zelador do prédio. Muito simpática, logo estávamos em sua casa
ouvindo música”, relata.
Assim como a curiosa senhora de 88 anos, atriz, DJ,
viúva e que nunca quis ter filhos, outras 19 histórias curiosas também
permanecem expostas no elevado. “A cidade é um local que ninguém encara o
outro, evitamos os olhares”, explica Raquel. Mas agora no Minhocão, “os olhares
são vigilantes, críticos, te enfrentam”, e apresentam “vidas singulares cheia
de mistérios.”
O projeto Giganto ocupa todas as colunas de sustentação
do Elevado Costa e Silva, no trecho da Avenida Amaral Gurgel, e algumas colunas
do trecho da Avenida São João. Outras imagens do PhotoEspaña.br podem ser
vistas de 23 de outubro a 25 de janeiro no Sesc Consolação.
Por Isadora Stentzler
Moradores da Chácara
Primavera, próximo ao bairro Cidade Universitária, estão ilhados desde a manhã
desta quarta-feira (06). Uma vala de escoamento (feita durante uma obra de
asfaltamento na semana passada) provocou alagamento e deixou os residentes
presos no conjunto de casas conhecido como "amarelinhas". Para sair,
os inquilinos precisam passar por trás das moradias de seus vizinhos.
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| As ruas se transformaram em rios e os moradores estão ilhados. Foto: Rafael Acosta. |
Nem a construtora nem os
responsáveis pelos imóveis deram previsão de quando retomarão os trabalhos e
não foi liberado nenhum acesso para os moradores. Mesmo sem galeria de águas
pluviais no local (necessária para o escoamento da água da chuva) o projeto
prevê asfalto e a permanência da vala.
Ilhado,
o estudante de engenharia Hercules Parteli, contou que ele e
outros moradores foram atrás de uma solução com os responsáveis pelos imóveis,
mas o problema não foi resolvido. "A obra tem um degrau, mas
não fizeram um acesso [para as casas], então quando chove a rua inteira vira um
rio. Estamos nesta situação desde hoje de manhã. Procuramos saber os
detalhes de como ficaria a rua e eles [locatários] tentaram recorrer a
alguém, mas ninguém ajudou até o momento", contou Parteli.
O
responsável pela locação de algumas das casas amarelinhas, Daniel
Reis, disse que não sabe quem autorizou a obra. Segundo ele, o erro
que provocou o alagamento foi da empresa responsável, pois essa deveria
ter se organizado melhor para realizar a obra em um período menor.
Reis, que,
casualmente, trabalha na prefeitura, disse que entrou em contato com Ricardo
Soares, responsável pelo departamento de obras. Segundo ele, Soares disse que a
prefeitura só ficou sabendo do problema agora e amanhã enviará um
trator para aliviar o caso.
De acordo
com encarregado da Associação de Proprietários da Chácara
Primavera, Marcos Antônio Gerolin, trata-se de uma obra
particular da entidade. Ele informou que a associação entrará em contato com a
construtora Arquiteta para que essa ajude a tirar a água e
cancele as obras até que a chuva passe.
Por Rafael Acosta e Katherine Changanaqui
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| Bobbi à esquerda, e Mike. Foto: Arquivo pessoal |
Bobbi e Mike Belschner são fotógrafos há sete anos nos
Estados Unidos. Casados, trabalham juntos com fotografia e possuem um website. Geralmente, o casal fotografa casamentos, casais e família, ou seja,
focam nas fotos sociais. Bobbie e Mike conversaram com a ABJ e contaram o
início da carreira, a relação entre cliente e fotógrafo e a desvalorização do
mercado fotográfico.
ABJ – Bobbi e Mike, a
sintonia que vocês possuem é elogiável. Como é que vocês se conheceram? Vocês
já trabalhavam com fotografia antes de se casarem ou foi um pontapé para se
relacionarem?
Mike Belschner – Bobbi e eu nos conhecemos na faculdade. Ela
sempre aparecia na câmera escura próxima a mim por alguma razão. Nós dois apenas estudávamos e tínhamos a fotografia
como um hobby antes de nos casarmos
em 2003. Nós começamos a fotografar casamentos e retratos em 2006.
ABJ – As fotografias
que vocês produzem são de extrema qualidade. Elas transmitem uma grande
quantidade de sentimento e a expressão das pessoas a serem fotografadas não são
forçadas. Além disso, vocês possuem sintonia. Como vocês envolvem o casal a se
sentir confortável para ser fotografado? A relação entre o fotógrafo e cliente é
importante?
MB – A relação que você tem com seus
clientes é tudo quando você está fotografando pessoas que querem lembrar-se de
suas vidas. A maioria dos fotógrafos está preocupada apenas com o que será
fotografado: A luz é certa? É o cabelo perfeito? É a gravata em linha reta?
Quais são as minhas configurações? Esses itens são importantes, claro, mas uma
fotografia tecnicamente perfeita não significa nada se as pessoas estiverem
desconfortáveis e a foto pareça artificial. Nós sempre iniciamos uma sessão sem
nossas câmeras e estamos sempre certos de sermos nós mesmos em primeiro lugar -
falamos com as pessoas como se tivéssemos falando com nossos amigos. Quando as
pessoas se sentem confortáveis com a gente, sem câmeras, é que vamos
desempacotar nossos equipamentos.
ABJ – A fotografia tem
um poder encantador. O que isso significa na vida do casal? De onde vem a
inspiração para as fotos?
MB – Quando nós olhamos para nossos pais
antes deles terem filhos, nós temos poucas fotos deles apenas sendo eles
mesmos. Por experiência própria, nós só temos algumas fotos da nossa infância
que não são duras (pose reta), fotos formais. Então, acima de tudo, queremos
que as pessoas tenham ótimas fotos para o seu legado - para seus filhos, netos
e futuras gerações à frente saberem quem foram seus antepassados e quais
personalidades tinham. Fotografias não são apenas para agora, elas são para o
futuro também.
ABJ – Participar de
aulas, cursos e oficinas são atividades necessárias para um fotógrafo ou apenas
ter um bom olhar fotográfico é o suficiente?
MB – Ter um bom olho é importante, mas
certamente não é tudo. Se você quer que seu trabalho cresça e melhore ao longo
do tempo, é absolutamente vital ter um curso para ter inspiração. Nenhum de nós
sabe tudo sobre fotografia – e acho que não podemos aprender com qualquer outra
pessoa, isso seria o cúmulo da arrogância. Ter uma mente aberta sobre outras
opiniões dos fotógrafos irá enriquecer a qualidade do seu trabalho e sua
satisfação ao criá-lo.
ABJ – Aqui no Brasil,
há uma grande desvalorização dos fotógrafos. Alguns amadores que compram
equipamentos acreditam que são profissionais por causa das ferramentas que eles
apresentam e acabam cobrando um valor baixo. Algumas pessoas preferem preço ao
invés de qualidade. Como os fotógrafos em sua região são vistos hoje em dia?
MB – Eu acho que esta é uma tendência
universal e totalmente esperada quando você considerar o baixo limiar
financeiro e habilidade para entrar no mercado. Quase qualquer um pode criar,
pelo menos, fotos marginais de qualidade, investindo menos de mil dólares. Tudo
o que você precisa é um computador, uma DSLR (câmera reflex), um software básico, e uma conexão web. DLSRs modernas podem produzir imagens
razoavelmente nítidas com nenhuma habilidade. O mercado será sempre o mercado.
Fotografias de alta qualidade não serão importantes para algumas pessoas, será
moderadamente importante para outros, e muito importante para quem gosta de
fotografia bem feita. Isso não é diferente com vinho, carros, roupas ou
computadores. Se você é capaz de produzir trabalho de alta qualidade, você
também deve exibi-lo de forma eficaz a promover sua fotografia como melhor do
que a de um amador.
Por Gabriela
Vizine
Com o crescimento da
tecnologia e o avanço midiático, a vida ficou mais moderna. A ansiedade faz
parte desse aceleramento de informações, mas quando ela começa a ficar
excessiva, ocupando boa parte do tempo, durante dias, semanas e meses, surgem
transtornos como a síndrome do pânico. Esse é o caso da bióloga Juline
Homercher. Ela notou os primeiros sintomas na transição da adolescência para a
fase adulta. Porém desde criança foi muito ansiosa, mas não imaginava que este
fator poderia se tornar uma doença.
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| Após sete anos da primeira crise, Juline vive uma vida normal, gosta de estar com os amigos e pratica exercícios físicos. Foto: Arquivo pessoal. |
No começo foi difícil para
a jovem aceitar que aquilo que sentia eram problemas psicológicos. “Logo eu que
adorava festas, gostava de estar rodeada de pessoas. Porém, as crises foram se
agravando, a cada nova crise eu procurava um especialista diferente. Fui a
cardiologistas, gastroenterologista, otorrinolaringologista, entre outros.
Sempre acreditava portar uma doença incurável. Nessa fase os sintomas
aumentaram. Dor no peito, tonturas, náuseas”, conta ela.
Depois de muitos exames,
Juline aceitou procurar um psiquiatra e foi diagnosticada com síndrome do pânico.
Segundo dados da Organização
Mundial da Saúde (OMS), a síndrome atinge de 2% a 4% da população mundial.
A doença é um transtorno psicológico caracterizado pela ocorrência
de inesperadas crises de pânico e
por uma expectativa ansiosa de ter novas crises. São períodos de intensa ansiedade,
geralmente com início súbito e acompanhados por uma sensação de tragédia e perigo iminente.
A Psicóloga Elaine da
Silva explica que, na maioria das vezes, as crises de pânico iniciam com uma
primeira reação de ansiedade. O indivíduo provavelmente já visitou inúmeras
vezes o médico ou pronto socorro achando que estaria tendo um ataque cardíaco,
depois de vários episódios de queixas e sintomas. Habitualmente se procura um
médico psiquiatra para dar um diagnóstico para
isto, este médico fará uma consulta para detalhar toda história do quadro e
também solicitar exames que servirão para descartar outros diagnósticos, como
problemas cardíacos e ainda solicitará exames. Alguns são: Anamnese, que inclui
uma entrevista inicial detalhada sobre a história das crises e do paciente.
Exame físico, como uma avaliação do coração e da pressão arterial. Exames
laboratoriais, como o de sangue (hemograma completo). Exames de imagens, como
tomografia computadorizada. “Tantos exames são pedidos para descartar qualquer
problema físico do indivíduo. Nem todo mundo com crise de pânico tem o
diagnóstico de transtorno de pânico”, frisa a psicóloga.
Segundo Elaine, alguns
critérios são essenciais para o diagnóstico. Os ataques de pânico são
inesperados e frequentes e existe a preocupação do indivíduo ter outra crise. Algumas
situações ou locais passam a ser evitadas devido ao medo dos ataques de pânico
(medo de sentir medo). A agorafobia surge quando
o medo de futuros ataques de pânico leva o indivíduo a evitar situações ou
lugares que acredita que causem o transtorno. Isso pode levar esta pessoa a
restringir muito os lugares aonde vai ou suas relações pessoais. No caso
de Juline, por exemplo, nas piores fases da doença, ela não conseguia ir
sozinha na escola de inglês que ficava a poucas quadras de sua casa. “Não
conseguia nem tomar banho sozinha, minha mãe entrava comigo no banheiro. Não
ficava sozinha no local de trabalho. Meu medo era exatamente esse, ficar
sozinha ou ter uma doença incurável”, lembra.
De acordo com a psicóloga,
a síndrome do pânico é um conjunto de sintomas que é caracterizada por um
período distinto no qual há o início súbito de intensa apreensão de ansiedade
inesperada, vem acometido de inúmeros sintomas psicológicos que é sentido pelo
corpo como algo real. Durantes estas fobias (medos irracionais) estão presentes
sintomas físicos e psicológicos como falta de ar, palpitações, sudorese,
taquicardia, tonturas, visão embasada, hiperventilação, tremores, medo de ficar
louco, medo de morrer, medo de sair na rua, de ficar sozinho, de lugares
fechados, entre outros.
As causas da síndrome ainda são desconhecidas, mas a genética pode
ser um fator determinante. Algumas pesquisas indicam que o transtorno, em geral,
ocorre sem que haja nenhum histórico familiar, pode vir por um trauma ocorrido
com o indivíduo ou simplesmente por predisposição. Mesmo quem não tem o
componente genético está sujeitos às crises.
Em especial pessoas com características perfeccionistas,
dificuldades para dizer não e exigentes consigo mesmo estão mais propensas a
desenvolver. Acomete mais em
mulheres do que em homens.
A psicóloga adverte que o
tratamento é de suma importância. “O objetivo do
tratamento é ajudar o indivíduo a ter uma vida plenamente feliz e a agir
normalmente na vida cotidiana. Uma combinação entre medicamentos prescritas
pelo médico psiquiátrico e terapia cognitivo-comportamental (TCC) funciona
melhor”, explica. A terapia cognitivo-comportamental ajuda a entender os
comportamentos e o que fazer para mudá-los. Durante a terapia, a pessoa
aprenderá a entender e controlar as visões distorcidas dos estressores da vida,
como o comportamento de outras pessoas ou eventos importantes. “A terapia ajuda
o indivíduo a reconhecer e substituir os pensamentos que causam pânico,
diminuindo o sentimento de impotência ou a perda da autonomia. Além de
gerenciar o estresse quando os sintomas ocorrerem, aprendendo a fazer a
respiração apropriada de relaxamento”, destaca.
No caso de Juline a medicação e terapia foram fundamentais, pois
durante as conversas ela pode entender seus medos e saber enfrentá-los. “De
acordo com o meu terapeuta a síndrome pode ter sido desencadeada pela pressão
do final da faculdade, sair da vida adolescente e entrar para fase adulta”,
conta Juline. A jovem aconselha que é importante “se apegar” com Deus neste
momento de crise. “Toda vez que me sentia angustiada, nervosa, em crise, eu
rezava, pedia a Deus para ter calma e sempre tive fé que iria melhorar.”
Com o tempo as crises de
Juline foram diminuindo, e com isso ela pode diminuir também a medicação. Já conseguia
entender que aquilo que sentia era psicológico e poderia ser controlado.
Hoje, sete anos depois, a
bióloga ainda tem algumas crises, mas não faz mais uso de medicação. “Faço
ginástica, pois o exercício físico libera endorfina e outros hormônios
importantes para o cérebro, estou sempre rodeada de pessoas que me fazem bem,
amo meu trabalho e rezo muito, tanto para agradecer a cura, como pedir que Deus
esteja sempre comigo e que nada possa me abater”, conclui.
Por Rafael Brondani
A prática de testes laboratoriais em
animais domésticos e silvestres sempre foi um assunto polêmico. Roedores,
cachorros e diversos outras bichos são usados como cobaias de vacinas e
cosméticos despertando o furor de ativistas e defensores dos direitos animais. O
caso mais recente que chamou a atenção da opinião pública foi da invasão das
dependências do Instituto Royal, localizado em São Roque, interior de São
Paulo, por um grupo de cerca de 200 manifestantes e ativistas. Na ocasião,
foram roubados mais de 200 cães da raça beagle e um montante de coelhos. Em
reação, o instituto anunciou que irá processar os ativistas por furto de
animais.
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| Instituto Royal utilizava cães da raça beagle por serem de médio porte. Foto: Creative Commons. |
Para a organização Portal do Dog, a
ação dos ativistas foi motivada pelo boato de que o Instituto tinha a intenção
de sacrificar os animais que já haviam sido usados em testes. De acordo com a ONG,
a empresa pratica maus tratos com os animais além de não permitir a visitação
de suas instalações e não ser transparente em seus dados. O Instituto tem apoio
do governo e faz testes em cães da raça beagle por serem de médio porte e
considerados uma raça pura, ou seja, sem variações genéticas, o que torna os
resultados mais exatos.
O diretor do Instituto Royal, João
Antônio Pegas Henriques, em entrevista concedida na sexta feira, dia 18,
anunciou que acionará a polícia para recuperar os cães roubados e doará os
animais. Segundo ele, os beagles estavam com antibióticos no organismo e,
portanto, não é mais possível utilizá-los em novos testes.
Alguns dias após a ação, a polícia
abriu uma investigação das ações do Instituto Royal. O caso foi amplamente
divulgado nas redes sociais. Algumas horas após a invasão das dependências do
instituto, uma página foi criada para localizar possíveis pessoas dispostas a
adotar os cães roubados. No entanto, uma semana depois do caso, dois beagles
foram encontrados vagando pelas ruas de São Roque.
Alguns ativistas acusaram a Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de ser conivente com os possíveis
maus tratos praticados pelos funcionários do Instituto Royal. A agência se
defendeu emitindo uma nota afirmando que não mantinha nenhuma relação com o
instituto.
Na sexta-feira (25), a Prefeitura de
São Roque suspendeu o alvará de funcionamento do Instituto por 60 dias depois de receber documentos da comissão dos deputados federais apontando maus tratos.
Segundo a lei 11.794, o uso de animais
em testes de laboratórios, tanto para medicamentos como para cosméticos é
permitido no Brasil. No entanto, a Anvisa tem a responsabilidade de fiscalizar
o modo como esses animais são tratados e testados. Na União Europeia, todos os
tipos de testes em animais foram proibidos em 2009, inclusive o uso de animais
de grande porte, como símios. Em Israel também não é permitido testes em
animais desde o ano passado.
Por Douglas Pessoa
Em 2013 o Exame
Nacional de Ensino Médio (Enem) será antecipado. A prova acontecerá nos
próximos dias 26 e 27 de outubro em mais de 1.600 cidades do País. Segundo o Ministério
da Educação, o motivo é o aumento no número de inscrições e o pouco tempo para
correção das redações.
O local da avaliação já
está disponível para consulta no site
do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Os mais de
sete milhões de inscritos deverão chegar com antecedência de uma hora no dia da
prova, portando documento de identificação com foto e caneta transparente de
tinta preta.
No último exame, muitos
alunos reclamaram da falta de organização e do descaso com a correção das
provas. Redações que seguiram o tema proposto receberam notas baixas enquanto
as avaliações que continham letras de hino de futebol, receita de macarrão e
erros de português receberam notas acima da média.
O estudante Edmilson
Ribeiro realizou o Enem em 2012. Para ele o motivo da correção ser falha é a
quantidade de inscritos. “Eu acredito que os critérios utilizados para a
correção não são justos. São muitas pessoas que corrigem as provas e cada uma
tem uma visão. O aluno depende do avaliador para ter êxito ou não”, avalia o
estudante.
Apesar das divergências
do exame, a prova é importante para alunos que pretendem obter uma graduação. A
estudante Dayane Fagundes foi contemplada com o Prouni, programa do governo que
beneficia jovens de baixa renda a ingressar em instituições de ensino superior particulares.
“O exame foi fundamental para mim. Se eu não conseguisse essa bolsa, não teria
condições de estar em uma instituição privada”, relata.
A próxima meta do
governo é a padronização dos vestibulares do País. A proposta é utilizar apenas
as notas obtidas no Enem. Para o próximo vestibular, as 59 universidades
federais já utilizarão esse critério de avaliação.
Segundo Dayane, essa
padronização poderia prejudicar os métodos de avaliação das principais
universidades que utilizam um processo rígido de seleção. “O Enem é falho e não
pode competir com o rigor dos vestibulares mais tradicionais do País. Falta
muito para que essa prova possa ser a base do ensino do estudante brasileiro”, argumenta.
O Ministério da Educação
afirmou que neste ano a correção das redações utilizará critérios mais
rigorosos.
Por Karine Dias











