Um dos argumentos usados por aqueles que apoiam a postura do Times é de que o jornalismo precisa ser mais valorizado e que muitos leitores estariam dispostos a fazer uma assinatura online, assim como já fazem no caso do jornal impresso. Por outro lado, os que condenam tal cobrança defendem que ela vai totalmente contra a ideologia moderna onde o digital está presente em quase todos os aspectos da vida.
Entre prós e contras, uma questão deve ser considerada: a adoção de um modelo de pagamento pelo conteúdo jornalístico na internet distancia um grupo de ter acesso a essas informações. Aqueles que praticamente já não têm acesso à internet terão menos ainda se tiverem que pagar por esse conteúdo. Além disso, existem aqueles que evitam pagar pelo que enxergam como desnecessário.
Se o modelo do Times for exemplo para outros veículos jornalísticos, a função do jornalismo como um serviço público pode ser afetada de alguma forma. Contudo, o fato de o jornal The New York Times estar sob os olhos do mundo faz com que essas discussões possam existir não só como uma crítica, mas como um meio de fazer a mudança acontecer, se for necessário.
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30 de março de 2011 às 21:19
Não podemos ter ilusões a respeito do acesso à informação online. O próprio fato de ser "online" já impõe suas próprias barreiras, que são a posse e/ou o aluguel do equipamento eletrônico atualizado e da rede. A informação só é gratuita na internet depois da posse ou aluguel dessa infraestrutura. Como dizia o velho ditado norte-americano, "there's no free lunch". Por isso, não vejo a iniciativa do Times como uma barreira mais significativa à democratização do conhecimento do que outras que já estão por aí. Se vai dar certo ou não é outra história. O Times está jogando contra a cultura do internauta, que se acostumou a passear livremente pelos "campos" virtuais. Mas a aposta é interessante: aquela parcela diminuta que historicamente lia os jornais pode pagar, sim, por uma informação diferenciada e organizada - em meio ao caos da web. Resta saber se o Times vai conseguir atender a essa necessidade. Se sim, não vejo porque não dar certo.