Incentivo de pais e educadores auxilia no hábito da leitura


Incentivo na infância é essencial para
desenvolver o gosto pela leitura
Foto: Gabriela Vizine
 O índice de leitura no Brasil cresceu nos últimos anos. Porém, a quantidade de livros lidos anualmente ainda é alarmante. A última pesquisa realizada, em 2008, sobre a quantidade de livros que um brasileiro lê, aponta 4,7 livros por ano. Um índice pequeno se comparado a países mais desenvolvidos.

A professora Eliane Paroschi, mestre em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento pela Andrews University e atualmente professora do curso de Pedagogia do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), campus Engenheiro Coelho, acredita que uma das razões que leva o povo brasileiro a ler pouco é o fato de os países mais desenvolvidos serem, em geral, mais frios, o que faz com que as pessoas procurem formas de se entreterem dentro dos ambientes. “No Brasil temos muito sol, praia, piscina, campos e fazendas. Tudo isto nos convida a estar um tempo maior fora de casa e termos mais relacionamentos sociais do que nos países frios”, argumenta.

Para Eliane, a cultura presente no Brasil também torna seus leitores acomodados, uma vez que os distanciam do contato aos livros. “Os países mais desenvolvidos, já pela cultura e tradição da leitura, formam mais escritores. Seus livros são mais variados e de uma riqueza que atende todos os gostos”, afirma.

As gerações Y e Z têm dificuldade em ler um livro de capa a capa, preferindo, por exemplo, o texto de um blog na internet. Consequentemente, eles encontram dificuldades na interpretação de textos mais extensos.

O hábito de ler apresenta uma série de benefícios ao leitor, e um deles é a de torná-lo intelectualmente capaz de construir opiniões. Um dos maiores problemas da falta de leitura não está relacionado ao acesso aos livros, mas à carência de incentivo, pois as bibliotecas disponibilizam empréstimos de livros e ambientes mais apropriados para leitura.

Para formar leitores é indispensável o incentivo, principalmente se tratando de crianças, uma vez que é nesse estágio da vida em que se começa a criar o gosto pela atividade. A professora Eliane relata que o incentivo dos pais e educadores é importante para que o índice de leitura no Brasil aumente. Entretanto, o exemplo dos educadores também é essencial. “Crianças e adolescentes que veem seus educadores lendo também irão se interessar pela leitura”, expõe Eliane.

Um exemplo para explicar o relato da professora Eliane é o da mãe Andréa Zerbetto, uma assídua leitora. Ela tem uma filha de 10 anos de idade e acredita que por meio do seu incentivo a filha adquiriu o hábito. “Sempre que vamos ao shopping, nunca deixo de entrar numa livraria, pois acredito que é onde minha filha vai obter prazer pela leitura”, relata Andréa.

Assim como Andréa, muitos pais e educadores possuem a preocupação de passar aos filhos o hábito da leitura através do próprio exemplo. “Se valorizo a leitura, se aprecio ou tenho prazer nesta atividade, aquele que faz parte do meu convívio dará valor também”, observa a professora Denise Moura, mestre em Educação pelo Unasp.

O estudante universitário Áthila Negreiros expressa ser de extrema importância o incentivo dos educadores à leitura. “Durante meu ensino fundamental, sempre tive o incentivo dos professores, principalmente na disciplina de língua portuguesa”, recorda. Ele ainda relata que agora, no ensino superior, não está sendo diferente.

A professora Eliane comenta que os estudantes universitários não têm o hábito de ler e, em geral, leem o mínimo possível, apenas para cumprir requisitos acadêmicos. Mesmo assim, acredita que a faculdade também pode ser o início de um caminho para criar o gosto pela leitura. Dessa forma, o aluno começará a buscar conhecimento por si próprio. “Há aqueles que não gostam de ler um livro de história fictícia, preferem ler livros com conteúdo acadêmico, informação, atualidade. Ótimo! Afinal, estão lendo e consequentemente expandindo horizontes”, exclama Eliane. “Quem lê sabe sobre o que conversar, tem boas ideias, pensa mais e melhor”.
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Sobre a ABJ

A ABJ é a agência júnior de jornalismo do curso de Comunicação Social do Unasp - Centro Universitário Adventista de São Paulo.

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