Exercícios físicos e o coração: todo cuidado é pouco

A atividade física excessiva tem grande
relação com os problemas cardíacos
Foto: Leo Neves
Durante a semana passada, o Brasil acompanhou o drama do jogador de futebol Renato Abreu, meia do Flamengo.  Na terça-feira, 6, durante um exame de rotina, o atleta teve detectada uma arritmia cardíaca e, por isso, foi afastado dos campos por período indeterminado. O caso trouxe à tona os problemas que a atividade física excessiva pode causar ao bom funcionamento do coração.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a prática de exercícios físicos de maneira correta traz inúmeros benefícios à saúde, mas, praticados em excesso, dão origem a diversos problemas. Recentes pesquisas comprovam que a atividade excessiva e constante pode causar sérios danos a diversas áreas do corpo. A arritmia que atingiu o jogador rubro-negro é apenas um dos males que o excesso físico pode causar. Em casos extremos, essas atividades podem favorecer os acidentes vasculares, causar infarto e parada cardíaca.
O professor de Educação Física, Carlos Eduardo Walter, alerta: “A realização de atividades físicas numa intensidade muito alta faz com que o músculo perca a capacidade de trabalho, gerando problemas cardíacos.” O número de pessoas em academias que realizam atividades físicas com alta carga muscular, aumenta cada vez mais no Brasil.
“A atividade física sem complementação hormonal gera uma sobrecarga muito grande ao coração”, afirma a doutora Karla Daura, cardiologista do Consultório Gyncor, em Goiânia. “Muitos já nascem com esse problema, e sem o devido acompanhamento, acabam correndo riscos de ter arritmia, infarto e até morte súbita”.
Somente no Brasil, 712 pessoas morrem todo dia por morte súbita cardíaca, muitas das quais, tiveram o excesso de carga física como raiz do problema. A doutora colocou também a hipertrofia cardíaca como um grande problema originado pelo excesso de atividade física. “Esse excesso causa uma hipertrofia, excesso de musculatura, no coração. Ela aumenta drasticamente a chance da pessoa adquirir arritmia”, explica Daura. A hipertrofia é diretamente associada à insuficiência cardíaca, e, consequentemente, aos casos de morte súbita, comuns para quem sofreu de insuficiência.
O estudante Efrain Alves, que cursa o 2º ano de Teologia no Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), campus Engenheiro Coelho, é uma das muitas pessoas que sofrem com problemas cardíacos no país. Efrain possui, desde o seu nascimento, um colapso na válvula mitral do coração. “Já desmaiei várias vezes quando realizava atividades físicas exaustivas”, disse. O aluno, praticante assíduo de futebol e voleibol, nunca deixou de praticar suas paixões. “Hoje, nunca pratico essas atividades em excesso. No máximo meia-hora por dia, e num ritmo leve. Sempre me cuido bastante, e busco sempre o acompanhamento de um profissional.”
A doutora Karla ressalta a importância que o auxílio médico tem, em casos como o do Efrain. “O acompanhamento regular com médicos e nutricionistas é a chave para quem pratica atividades físicas de maneira regular”, receita. Nessa mesma linha segue o doutor Nabil Ghorayeb, cardiologista e presidente do Grupo de Estudos em Cardiologia Esportiva da Sociedade Brasileira de Cardiologia. “Os esportistas precisam manter seus exames de saúde em dia”, diz o doutor. “Para quem realiza atividades físicas mais profundas, exames como eletrocardiograma, ecocardiograma e testes ergonométricos são imprescindíveis.”
Uma alimentação saudável e rica, especialmente em potássio, é extremamente importante para a reabilitação e bom funcionamento do coração, conclui a doutora Karla.

A IDADE CONTRIBUI

São raros os casos de pessoas, especialmente atletas, com idade menor que 25 anos que tiveram problemas cardíacos. “O problema é mais comum em atletas com mais de 27 anos” explica Lizeandro Strass, ex-preparador físico de Santos e Ponte Preta e atualmente professor de Educação Física no Unasp.
O professor também esclarece que com o passar do tempo, o corpo passa a não suportar mais a carga física imposta sobre ele trazendo sérias consequências, especialmente ao coração. “E todo esse efeito é potencializado quando esses atletas utilizam corticóides poderosos para combater dores no corpo, o que pode acarretar em sérios problemas”, completa.

ELES VENCERAM

No mundo esportivo, ocorreram vários casos de atletas que tiveram problemas cardíacos, muitos deles levaram a morte como foram os do jogador camaronês Foe e do zagueiro do São Caetano Serginho. Porém muitos deles conseguiram superar os problemas, através de um acompanhamento médico e de uma mudança de hábito alimentar e físico. São os casos de:


Washington, ex-jogador de Ponte Preta, Atlético-PR, São Paulo, Fluminense e Seleção Brasileira. Atacante recordista de gols em uma edição do Campeonato Brasileiro, 34, em 2004. Em 2003, ele foi diagnosticado com uma lesão no ventrículo esquerdo do coração. O jogador teve que passar por uma cirurgia e ficou um ano afastado dos gramados. Porém, contra todos os prognósticos, o artilheiro voltou em 2004 e se consagrou artilheiro do Brasileirão. Pela sua força de vontade e superação, recebeu o apelido de “Coração Valente”.







Fabrício Carvalho, ex-atacante de Ponte Preta, Portuguesa e São Caetano. O jogador foi detectado com arritmia cardíaca durante um exame médico em 2005. O atleta ficou dois anos afastado do futebol, mas conseguiu retornar em 2007, e hoje, mesmo com 34 anos, ainda atua no futebol profissional.








Fabrício Oberto, pivô argentino, que atuou na NBA por San Antonio Spurs e Portland Trail Blazers. Descobriu em 2010 que possuía um problema cardíaco. Chegou a anunciar sua aposentadoria, mas um ano depois voltou as quadras e chegou a atuar no Pré-Olímpico do ano passado pelo time argentino.






MANDAMENTOS PARA UM BOM FUNCIONAMENTO DO CORAÇÃO
1.       Controlar a pressão arterial
2.       Reduzir o colesterol
3.       Jamais utilizar cigarros e drogas
4.       Controlar o diabetes
5.       Evitar o sobrepeso
6.       Controlar o estresse
7.       Manter uma alimentação saudável
8.       Praticar exercícios físicos, sempre evitando o excesso
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Sobre a ABJ

A ABJ é a agência júnior de jornalismo do curso de Comunicação Social do Unasp - Centro Universitário Adventista de São Paulo.

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