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| Apesar da busca, aparelhos móveis com internet não funcionam como o esperado Foto: Leo Neves. |
A estudante de Ciências Sociais Tatiane Pacheco, por exemplo, adquiriu o aparelho celular com Wi-Fi no ano passado e está entre esse grupo que adotou a nova rede. Ela explica que a opção veio pela propaganda das “vantagens de preço e pela qualidade que inclui a velocidade”. Da mesma forma para o estudante Felipe Paulozzi, que utiliza o aplicativo no celular há três anos, a “mobilidade que o aparelho proporciona, e a eficiência com que a internet trabalha nas conexões 3G ou Wi-Fi” foram os fatores que justificaram a adesão ao aplicativo.
No entanto, as portabilidades Wi-Fi e 3G nem sempre garantem a conexão perfeita esperada pelos usuários. O que ocorre é que, como estes meios são transmitidos por ondas de rádio ou por aplicativos de minimodem (como no caso da conexão 3G), eles são facilmente afetados por qualquer barreira de transmissão, limitando assim o acesso a um ponto comum.
Tatiane pontua este problema com base na sua experiência: “A internet tinha má qualidade e dava pra perceber claramente que era apenas um jogo de propaganda para garantir mais lucros.”
Outro problema também relacionado à portabilidade apontado pelos usuários é o que se refere ao tempo de uso. “Olha, se ainda não sou viciado, acredito que esteja bem perto disso”, declara Paulozzi. O estudante de Direito que fica conectado em média duas horas por dia conta que o tempo chega a atingir quatro horas em locais em que o sinal é melhor.
Para o professor Tales Augusto Queiroz Tomaz, mestre em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), isso ocorre porque a internet móvel tem mudado os hábitos sociais criando dependência nos usuários. “E aí eu não estou falando de dependência de corpo e de mente, mas uma dependência no sentido de necessidade”, esclarece. “O seu trabalho vai te exigir isso, seu estudo vai te exigir isso... Por causa da disponibilidade e da mobilidade. Pois se é móvel, vamos exigir isso do trabalhador, do estudante. Então a disponibilidade traz uma obrigatoriedade”, diz.
Tomaz ainda explica que esta mídia pode trazer desvantagens para a vida pessoal, para o estabelecimento de laços duráveis e para pessoas desfavorecidas socioeconomicamente. “A internet te coloca permanentemente online. E se você está permanentemente com todos, você não está com ninguém na verdade. Nós não somos onipresentes”, conclui.
COMO FUNCIONA
As frequências Wi-Fi são distribuídas através de um roteador conectado à internet, que transforma os dados em sinais de rádio. Assim, os dispositivos móveis decodificam a linguagem por meio de um adaptador e estabelecem a conexão entre os aparelhos sem fio.
No caso da internet 3G, ou internet móvel da terceira geração, o sinal é transmitido por um chip acoplado a um minimodem USB que capta o sinal e o transmite ao computador. Embora a tecnologia 3G seja mais utilizada em computadores como notebooks, ela também é disponibilizado a celulares, desde que as configurações do aparelho suportem a tecnologia.

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