![]() |
| A falta de maturidade pode atrapalhar os adolescentes a conciliar o namoro com os estudos Foto: Gabriela Vizine |
Andar de mãos dadas, um beijo no rosto e namorar têm sido uma rotina diária de adolescentes que começam relacionar-se cada vez mais cedo. O problema é quando o estudo é deixado de lado e o namoro se torna prioridade. Com isso, surge a pergunta: o namoro na escola ajuda ou atrapalha o rendimento do aluno?
A psicóloga Daniela Antória afirma que sim. Segundo ela, o namoro na adolescência influencia e muito o rendimento escolar. Daniela explica que já é difícil manter tudo sob controle para os adultos quanto mais para os adolescentes que estudam. “Por esse motivo, considero essencial a atenção e o acompanhamento da família, orientando e buscando manter o casal consciente de que podem
estabelecer uma relação de companheirismo e incentivo ao estudo”, declara.
A opinião de Daniela se assemelha com a da professora Eliana Gava. Ela leciona Biologia para os alunos do 1º, 2º e 3º ano do ensino médio no Colégio Unasp, localizado em Engenheiro Coelho (SP). Para Eliana há os dois lados, tanto o de crescimento quanto o de retrocesso. “Geralmente, quando os alunos começam a namorar a tendência é cair o rendimento. Mas em questão do relacionamento eles crescem muito”, afirma a professora.
Apesar da tendência, existem casos e casos. Lucas Serain, 16, cursa o 3º ano do ensino médio no Colégio Unasp. Ele namora há um ano e meio e durante o período de namoro houve melhora em suas notas finais. “Meus pais ficaram surpresos com o resultado. Eu não sou bom em exatas e a minha namorada me ajuda enquanto eu a ajudo em história”, conta.
Esse é um dos lados que Daniela aponta o namoro como positivo. De acordo com a psicóloga, o jovem precisa entender que o estudo é o principal compromisso quando se é adolescente, mas que o casal pode ajudar um ao outro nessa tarefa. “Se o jovem casal está em sintonia podem estudar juntos e até mesmo dedicar-se mais ao estudo, já que de modo geral, se os estudos vão bem os pais tendem a permitir o namoro, desde que tudo se mantenha em harmonia”, relata.
Serain e sua namorada, Thais Betzel, não estudam na mesma sala, apenas no mesmo colégio. No entanto, ambos conhecem um casal que não tiveram um desenvolvimento positivo por estudarem juntos. “Eles se dispersaram nos estudos. Infelizmente isso acabou influenciando para que a concentração na sala fosse menor”, acredita Serafin.
Dessa forma, a professora deve tomar medidas dentro da sala de aula para impedir que a produtividade diminua. “Nós deixamos sentar perto, mas se conversarem, separamos. E se mesmo assim ainda houver conversa e o tipo de relacionamento for impróprio temos que trocar o aluno de sala”, descreve Eliana.
Com isso, Daniela explica que a escola deve tomar providências para que a aprendizagem dos alunos não seja atingida. “Nesse sentido se o namoro estiver influenciando negativamente como a falta de atenção durante a aula, a falta de interesse pelas atividades, chegada com atraso e saídas da sala de aula pode confirmar que esse jovem casal necessite de orientação escolar e familiar”, sugere.
Segundo Serain, o tempo é dividido igualmente para todos, por isso vai de cada um dividi-lo. “Os pais cobram muito as notas, mas se cada um tiver consciência de saber dividir o tempo não vamos nos prejudicar em diversas áreas da vida”, conclui.

0 comentários