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| Acompanhamento psicológico antes e após a cirurgia é essencial |
O cirurgião Roberto Rizzi explica que o procedimento só pode ser feito em pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) entre 35 e 40. A idade mínima é 18 anos, no entanto, em casos extremos, ela pode ser feita a partir dos 16. Pode ser indicado também se a obesidade estiver relacionada com hipertensão, diabetes e apneia do sono.
A jornalista Andréia Moura, 28 anos, fará a cirurgia bariátrica no dia 27 de setembro. Andréia, que já tem acompanhamento psicológico e nutricional, alimenta grandes expectativas de mudanças em sua vida. Ela revela que nunca foi magra e que já fez todo tipo de dietas, tratamentos e inclusive chegou a ingerir remédios, tudo sem obter sucesso. Por temer os riscos de complicações cirúrgicas Andréia adiou ao máximo a intervenção, mas depois de acompanhar o resultado de uma amiga se empolgou e procurou o cirurgião indicado por ela. Sua meta é perder 65 kg.
Acompanhamento psicológico
Para quem quer fazer a cirurgia, o primeiro passo é procurar um médico profissional. Após a primeira consulta, ele irá encaminhar o paciente para o psicólogo e nutricionista. Em alguns casos, o médico pode requerer consultas com cardiologista e pneumologista. O acompanhamento psicológico pré e pós- operatório é essencial. “A cirurgia bariátrica trará grandes mudanças não apenas fisiológicas, mas psicológicas, pois a pessoa necessita modificar comportamentos e hábitos adquiridos até aquele momento”, explica a psicóloga clínica Juliana Sato.
A psicóloga especializada em cirurgia bariátrica, Léa Oliveira, atenta para o fato de que todos os especialistas envolvidos com o paciente devem ser especializados nesse tipo de intervenção cirúrgica.
Muitos são os motivos que fazem um paciente optar pela cirurgia bariátrica. “Alguns pacientes podem ter um grau de distúrbio alimentar como compulsão, ansiedade, bulimia, depressão, dentre outros. Muitos deles ambém têm algum distúrbio metabólico que provoca a obesidade” esclarece Maria Aparecida Brizola, psicóloga clínica.
Alimentação
O pós-operatório de Novaes foi delicado. O estudante se alimento apelas de líquidos durante um mês. De acordo com ele, não lhe era permitido comer nada sólido, pois poderia trazer graves complicações à sua recuperação. Foi retirado 85 % do seu estômago e colocado um anel no esôfago, que é utilizado como um ‘mediador’ para obter o controle da sua mastigação. Se ele não mastigar direito, o anel faz com que a comida volte. Hoje, Novaes pode comer somente 150g por refeição.
Nenhum alimento é restringido para o operado, no entanto, as calorias são rigorosamente contadas e a atenção para o que se come é redobrada. “Por exemplo, quem não é operado quando passa por um momento de ansiedade pode acabar descontando na comida, o operado não pode ficar sem comer, mas também não pode comer demais. O paciente tem que se adaptar a uma nova rotina, mastigar devagar. Precisa mudar a forma de pensar, praticar atividades físicas. É passar do fast food para a comida saudável”, explica Léa.
Novaes conta que considera seu cirurgião como um segundo pai. A partir de agora, todas as decisões que ele toma em relação à sua saúde são consultadas a ele. O acompanhamento médico não pode ser dispensado. No caso da psicologia, “o não acompanhamento faz com que a pessoa fique perdida”, diz Léa Oliveira. Como a consulta psicológica é baseada em aconselhamento, o tratamento pode durar de um a dois anos.
O procedimento não limita a capacidade física do paciente. Exercícios físicos e reeducação alimentar são itens para que o resultado seja ainda mais satisfatório. Novaes não precisou fazer cirurgia plástica para eliminar o excesso de pele. Como sua pele é jovem e possui bastante elasticidade, a prática de atividades físicas é o suficiente para reverter a situação.
Todos os esforços valeram à pena para Silas. A maneira como ele se enxerga e como acredita ser visto por outros consequentemente mudou. “Hoje a sociedade me aceita e eu me aceito muito bem”, declara. Para Andréia, a expectativa ainda é grande. Ela acredita que, além de restaurar sua saúde, a intervenção cirúrgica também restaurará sua autoestima.


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