Das fraldas aos livros

Os pais devem influenciar seus filhos à leitura.
Foto: Gabriela Vizine
Quem vê uma criança tentando ler um livro nem imagina que essa realidade está distante da que vivemos hoje em dia. Nesta quarta-feira, 18, é comemorado o Dia Nacional do Livro Infantil, mas os homenageados mal saem das estantes.

De acordo com a psicóloga escolar Márcia Benevides, a missão de criar leitores deve começar em casa, ou melhor, no berço. O primeiro passo é contar histórias, dos mais diversos temas, lições e personagens. “Quando a criança cresce um pouquinho e já consegue entender, é interessante que os pais leiam os livros mostrando as figuras, mostrando as letras”, orienta. “E o mais importante é a modelagem, ou seja, pais leitores terão mais chances de despertar nos filhos o gosto pela leitura”.

A criança tem que ser preparada para a leitura, da mesma maneira que ela é preparada para ouvir uma música clássica, por exemplo. “Você não consegue fazer uma música clássica cair de paraquedas na vida de um adulto se ele não teve preparação para isso”, afirma a psicopedagoga Fátima Araújo.

Toda essa atenção à criança em casa reflete diretamente no resultado escolar, quando essa criança começa a ser alfabetizada e vai progredindo nas séries. “A imaginação é mais perspicaz. Ela cria com mais facilidade, absorve e desenvolve o conteúdo mais rápido”, argumenta a professora Raquel Pierini, do 2º ano do Ensino Fundamental da Escola Unasp. “Ela vem para a escola com um incentivo de casa, e como já vem com meio caminho andado, já vem curiosa por saber mais”, complementa Fátima.

Christian Abeendroth, pai de Sofia, de sete anos, e Pietra, de três, revela que, juntamente com sua esposa, costuma contar histórias antes das filhas dormirem. “Lemos a bíblia ilustrada e damos livros de presente para elas”, declara. “A pequena vê eu e minha esposa estudando todos os dias, pega um livro e finge que está lendo, inventando a história”.

Segundo a psicopedagoga Fátima, quando os pais disponibilizam seu tempo para contar histórias ou ler com seus filhos é uma forma de transmitir afeto. Isso colabora com o desenvolvimento social e emocional da criança. O pai de Pietra percebe que ela, prestes há completar quatro anos, tem muita facilidade para aprender e identificar as letras. “Na fase de alfabetização, o treino de leitura é fundamental, só assim a criança compreenderá a utilização de sinais de pontuação, parágrafos e demais regras ortográficas e até gramaticais. Quanto mais ela ler, melhor escreverá”, explica a psicóloga Márcia.

O desenvolvimento de uma criança é baseado em quatro pilares básicos de progressão: escutar, falar, ler e escrever. Um completa o outro. Na fase de alfabetização e de aprendizado, isso é muito importante, pois se não existe a leitura, o próximo pilar, a escrita, fica comprometida e todas as outras estruturas são abaladas.

Em casa, para crianças pequenas, Márcia aconselha que os pais leiam para os bebês e os incentivem a brincar com livrinhos de pano ou plástico. “Existem livros de diversas formas e tamanhos, com músicas ou sons referentes à historinha, livrinhos próprios para a hora do banho... é só escolher e se divertir”, conta. “E na escola é relevante comentar sobre o livro, fazendo suspense quanto ao final, discutir a relevância do livro para o aluno e sempre oferecer novidades que interessem os alunos nas diferentes idades”.

A leitura incentivada desde a infância e desenvolvida ao longo do tempo é muito importante, pois quanto melhor o desenvolvimento na infância, melhor será o desenvolvimento acadêmico, e a leitura faz parte disso, segundo Raquel. Como já dizia Visconde de Sabugosa, personagem de Monteiro Lobato, “precisamos tirar a poeira dessas estantes cheias de livros”.
Tags: ,

Sobre a ABJ

A ABJ é a agência júnior de jornalismo do curso de Comunicação Social do Unasp - Centro Universitário Adventista de São Paulo.

0 comentários

Comente Esta Notícia