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| Cerca de 77% dos aposentados dizem estar felizes e realizados. Foto: Léo Neves |
Poucos momentos parecem ser tão aguardados pela população quanto à aposentadoria. Após longos anos de trabalho, muitos já planejam o tão sonhado ‘descanso’. E os recentes dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre a expectativa e a qualidade de vida do aposentado trazem ainda mais ânimo para os cerca de 27 milhões de aposentados do país, segundo dados do Ministério da Previdência Social.
De acordo com as últimas pesquisas do IBGE, a expectativa de vida dos brasileiros cresceu seis anos na última década e, hoje, chega há 73,4 anos. Uma projeção do próprio instituto prevê que até o ano de 2050, aproximadamente 25% da população do Brasil seja constituída por idosos, com idade acima de 65 anos.
A melhora na qualidade de vida tem feito diversas pessoas aproveitarem melhor o último período da vida. É o caso da médica pediatra Magdalena Molina, de 63 anos. Apesar da idade avançada, ela usufrui da vida como uma jovem. Viaja mensalmente pelo mundo. Seus últimos passeios incluem o Egito, Israel, Estados Unidos, Colômbia, entre outras localidades. Casou no ano passado, adora dirigir pelo país e não abre mão um dia sequer de conversar com velhas e novas amigas pelas redes sociais. “Não poderia passar o resto da minha vida parada”, desabafa Magdalena. E revela: “Eu finalmente sou feliz.”
Uma recente pesquisa realizada pela Universidade Estadual de Campinas comprovou que entre os idosos que vivem e praticam o bem-estar físico e social, cerca de 77%, disseram estar felizes e realizados com a vida. A pediatra, que durante boa parte da vida teve um lado inteiro do seu corpo paralisado por uma infecção, precisou lutar bastante para desenvolver bons hábitos de saúde. “Não me deixei abater pela doença e procurei um tratamento. Foi através dessa atitude que passei a desenvolver bons hábitos e a curtir melhor essa fase tão boa que é a da aposentadoria”, conta.
Histórias como a de Magdalena demonstram que é possível aproveitar a vida mesmo na fase da aposentadoria. Porém, é importante ressaltar os cuidados com a saúde nessa etapa da vida. Em um ano, segundo dados do Sistema Único de Saúde (SUS), cerca de 5 milhões de idosos são internados por problemas de saúde no país. O geriatra Delson Gressler, que atua na clínica MedCenter em Artur Nogueira, relembra a importância da atividade física e do bem-estar corporal para um bom envelhecimento após a aposentadoria. “É fundamental nos lembrarmos das noções básicas de saúde”, enfatiza Gressler. “Saúde não é apenas a ausência de doença, e sim um bem-estar físico e mental. A atividade física e uma vida social adequada são fundamentais para os aposentados”, completa.
Para quem está chegando na aposentadoria, a preocupação com o futuro é constante. É o caso do carioca Mauro Lima, de 52 anos, que trabalha como repositor na rede de supermercados ABC, na cidade de Campo Belo, interior de Minas Gerais. Lima, diferentemente de grande parte da população, não pretende abandonar o trabalho tão cedo, mesmo tendo a chance de se aposentar a partir de 2014. “O trabalho é muito bom para o corpo e para a mente”, revela. “Faz com que a gente se sinta útil tanto para nós mesmos quanto para a sociedade.”
Gressler concorda com atitudes como a de Lima e revela a utilidade que o trabalho tem para o bem-estar na terceira idade. “Um dos pontos básicos para um bom envelhecimento é se sentir útil, e nada melhor que o trabalho para isto. Um engenheiro, mesmo aposentado, não deixa de ser engenheiro após a aposentadoria”, argumenta o geriatra. “Trabalhar e compartilhar a experiência com os outros ajuda o idoso a se sentir útil”.
O cuidado começa desde cedo
Para o médico Christian Ito, o segredo para uma boa aposentadoria não consiste apenas no cuidado com a saúde na terceira idade, mas desde a juventude. “Começa cedo. O período dos 20, 30 e 40 anos é quando a pessoa deve trabalhar pela saúde”, argumenta Ito, que ressalta ainda que a prevenção através da prática de hábitos saudáveis é a chave para uma boa qualidade de vida. “Não adianta pensarmos em ter uma boa saúde quando já for muito tarde. Hábitos alimentares sadios, prática de atividades físicas, entre outros, são medidas que devem ser feitas pela vida inteira”, enfatiza.
Mesmo tendo pouco tempo livre, Lima se expõe como exemplo de como as pessoas que ainda não chegaram à faixa da aposentadoria podem se preparar bem para a terceira idade. O repositor, que trabalha seis dias por semana, aproveita as poucas horas vagas para jogar futebol e fazer caminhadas. “Ter pouco tempo livre não é desculpa para deixar a saúde de lado. Consigo trabalhar, me exercitar e ainda curtir a minha netinha”, revela.
Mandamentos para uma aposentadoria tranquila
· Não esquecer os exames médicos
Testes como mamografia, para mulheres, glaucoma e medida dos níveis de colesterol são essenciais para maior qualidade de vida na velhice.
· Realize atividades físicas regularmente
E quanto antes melhor, a atividade física praticada de maneira regular e sem excessos reduz potencialmente o risco de doenças cardíacas e muitos outros males.
· Não se esqueça da vacinação
Quanto maior a idade, menor a resistência do corpo às infecções e vírus.
· Evite o cigarro
O hábito de fumar tem um peso considerável nos problemas de saúde na 3ª idade.
Fonte: Portal da 3ª Idade


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