Implante de mama completa 50 anos

Por: Angélica Izquierdo
A falta de aceitação própria pode ser um dos
motivos que explique o aumento da procura.
Foto: Gabriela Vizine
 Há 50 anos, uma mãe de seis filhos, Timmie Jean Lindsey, foi a primeira mulher a realizar com êxito o implante de silicone nos seios, no Hospital Jefferson Davis, em Houston, Texas. Quase um ano depois, realizada a cirurgia com sucesso, a Sociedade Internacional de Cirurgias Plásticas em Washington DC aprovou o procedimento.

Porém, antes desse resultado, nos anos 1889, as prostitutas japonesas roubavam silicone ou parafina do porto de Yokohama e injetavam direto nos seios para serem preferidas pelos soldados americanos. No entanto, essas mulheres ficavam com hematomas, infecções, causando a morte de muitas delas.

Até chegar ao silicone, muitos materiais foram testados. Em 1925, foi realizado o primeiro transplante de enxerto de gordura, já em 1942 a cirurgia foi feita com bola de vidro e em 1950, material esponjoso. Foram experimentos que não deram certo.

A ciência foi avançando e os médicos Gerow e Croin, experimentaram com uma cachorra, Esmeralda, colocando nela implantes de silicone com êxito. Lamentavelmente ela mordia os pontos da cirurgia, e as próteses tiveram que ser retiradas.

Após este histórico, a cirurgia chega ao Brasil. Desde que o método chegou, foram realizadas aproximadamente 645.464 cirurgias, sendo a segunda operação mais popular no mundo estético de acordo com as pesquisas do IBOPE, mudando assim as vidas de muitas mulheres.

A influência social

Os anos 50 foi o começo de uma nova visão cultural. Na época foram lançadas ao comércio a Barbie e a revista Playboy. Dentro disso, a imagem das estrelas de cinema e artistas foi o alvo do período.

Marilyn Monroe y Jane Russell, são um grande exemplo de influência para as mulheres daquela época, mostrando aquela silhueta invejável para muitas. O estilo sensual cada vez era mais popular no universo das garotas.

De acordo com o cirurgião plástico Eduardo Kanashiro, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da Federación Iberolatinoamericana de Cirurgia Plástica, esta influência cultural e social ainda continua. “Observamos a crescente preocupação com a estética. A medida que celebridades se expõem, ditam valores, as informações se propagam cada vez mais rápido. Nos dias de hoje, a moça faz a cirurgia, posta na sua rede social, amanhã as amigas já estão ligando para o cirurgião para agendar a consulta”, declara Kanashiro.

Segundo a psicóloga Paola Regalado, a influência cultural e social interfere na decisão da mulher em decidir como ela deve ser e agir. Diante desses fatores, a mulher procura fazer cirurgia de implante com o objetivo de se sentir menos insegura e fora do “padrão”. “Vivemos no mundo onde se você não é o que o que mundo pede para você ser, não serve. Com os meios de comunicação dizendo que ter seios grandes é o tipo de corpo ideal, a insegurança e a baixa autoestima aumenta nas mulheres, explicando assim a procura por cirurgias”, acrescenta Paola.

Foi exatamente isso que aconteceu com Verônica V. A jovem de 21 anos fez implante de seios há dois anos porque não estava feliz com o corpo. Ela afirma que após a cirurgia não se sente mais insegura. “Não tenho mais baixa autoestima, agora me sinto mais segura e mais bonita”, diz.

Problemas

Neste ano houve um crescimento de 17% referente a cirurgias de implantes no Brasil. Porém, em abril de 2010 a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a comercialização da prótese francesa Poly Implant Prothèse (PIP), pois o silicone feito não era autorizado.

Até esta data o país importou 34.631 unidades, dos quais 24.534 foram comercializados e 10.097 recolhidas pela Anvisa. Estima-se que 12.000 mulheres são portadoras deste produto em todo o território nacional.

O cirurgião José Gervais diz que retirou o silicone de muitas pacientes que tiveram uma reação inflamatória grave. Ele comenta que a recolocação de outra prótese é complicada, mas apesar da complicação o cirurgião recomenda que é melhor retirar antes que o líquido derrame. “Sou a favor de quem tem este tipo de implante o retire antes que rompe. Contrariando a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), só utilizo a Prótese da Silimed de fabricação brasileira e que este ganhou o consentimento da FDA (agência controladora de produtos médicos dos Estados Unidos),” confessa.

Em muitos países foram realizadas campanhas de ajuda como no Equador. O governo retirava as próteses gratuitamente para prevenir mortes.

Verônica ficou assustada com a notícia. Ela diz que seu cirurgião explicou todo o método da cirurgia e até que material usaria. “Ao ouvir estas notícias me surpreendi porque são muitos os casos, mas me lembrei que meu doutor me deu a caixa de minhas próteses explicando todo o procedimento”, conta.

Muitos estudos científicos demonstram que mulheres com implantes mamários tendem a uma incidência 30% menor de câncer de mama do que o estatisticamente esperado.

Apesar das complicações, os implantes podem ser muito úteis para as mulheres que perderam a mama por um motivo de doença. A cirurgiã Daniela Zabatini conta como teve a oportunidade de ajudar. “Mulheres que, por causa do câncer, perderam as suas mamas e recuperam o símbolo de sua feminilidade com a colocação de implantes mamários. Cada paciente nos acrescenta uma nova lição de vida”, conclui.
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Sobre a ABJ

A ABJ é a agência júnior de jornalismo do curso de Comunicação Social do Unasp - Centro Universitário Adventista de São Paulo.

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