| Preocupação excessiva com sujeira pode ser um sinal do transtorno obsessivo compulsivo (Foto: Gabriela Vizine) |
Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de um em cada 40
indivíduos em todo o planeta possui o transtorno. Somente no Brasil, são quatro
milhões de portadores do TOC. Como é o caso da professora Janne Erickson. Desde
os 20 anos, Janne não consegue largar o seu ritual de limpeza, do qual fazem
parte a obsessão por lavar as mãos constantemente e neuras acerca de vírus e
bactérias. “Não consigo entrar em algum lugar sem antes ter de lavar as mãos,
além de exigir que todos ao meu redor lavem também, e em curtos intervalos de
tempo,” revela.
O estudante Gustavo Henrique era outro portador do distúrbio.
Tinha um hábito constante de escovar os dentes. Atitude que poderia até ser
considerada exemplar se não fosse a quantidade com que era realizada. “Escovava
os dentes cerca de 30 vezes por dia,” admite. “Não conseguia passar mais de
trinta minutos sem escová-los.”
A vitória sobre o problema veio com muita luta para Gustavo.
A primeira grande dificuldade foi reconhecer o problema. A psicóloga Margareth
Camargo, que atua na área há mais de 25 anos, revela que a maior barreira no
combate ao transtorno é o fato de, na grande maioria das vezes, o portador não
admitir possuí-lo. “A pessoa que possui o TOC dificilmente consegue enxergar
algum problema. Geralmente, ela encara o seu ritual como algo natural e
razoável,” pontua. Para Henrique essa fase foi a mais complicada, devido ao
fato de não conseguir ver falhas em seus hábitos. “Para mim, escovar os dentes
tantas vezes era não somente normal como também necessário para a manutenção da
minha saúde.”
Após a identificação do TOC vem a etapa do tratamento, que é
constituído por um extensivo trabalho terapêutico. Para a psicóloga Nilvane
Silva esta etapa vem através de um conjunto de ações. “O tratamento mais
adequado para quem sofre com o TOC é a terapia comportamental cognitiva, a TCC,
junto com medicamentos que atuem para reduzir a ansiedade do portador do
distúrbio,” opina.
Gustavo precisou lutar bastante até abandonar o hábito. Foram seis
meses de terapia, além de ter que enfrentar diretamente o seu ritual. “Para
vencer, tive de começar a diminuir a quantidade de vezes em que escovava os
dentes, isso era terrível para mim, mas no final deu tudo certo.”
Vida nova
sem o transtorno
Após muito tratamento e força de vontade, o estudante hoje leva
tranquilamente a vida. O tempo que passava escovando os dentes de maneira
doentia agora ele usa para curtir com os amigos e descansar nos intervalos do
trabalho. “Agora que estou livre do meu TOC curto bem melhor meu tempo. Em
comparação com a época do distúrbio, chego a ter trinta minutos a mais de tempo
livre,” revela Gustavo, que até brinca quando lembra do seu antigo hábito,
“acho até que meus dentes ficaram mais limpos.”
Como
reconhecer o TOC
· - Saiba diferenciar entre ter uma mania e portar
o transtorno. No TOC a pessoa sente desconforto, ansiedade e sente-se escrava
de determinado comportamento.
· -A partir do momento em que alguma obsessão se
torna irracional é importante deixar o alerta ligado.
· -O TOC provoca alterações no modo de pensar,
perceber e avaliar a realidade.
· -O transtorno provoca, em 60% dos casos,
ataques de ansiedade.
Fonte: Portal da Educação e UFRGS

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