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| O emprego não garantido causa medo pela suposta falta de capacidade. Foto: Gabriela Vizine |
Durante quatro anos ou um pouco mais, jovens têm o período de aprendizado e de especialização em alguma área que mais os interessem. Dedicam-se às leituras, estágios, provas, trabalhos, tudo que for útil para o seu crescimento profissional.
Apesar de ter esse preparo, a insegurança na hora de se formar e entrar no mercado de trabalho aparece. Muitos não sabem para onde irão, em que área de sua graduação pretendem seguir e até se sentem incapazes de suprir as expectativas, mesmo tendo estudado para isso.
“O mercado de trabalho é selvagem e eu tenho medo de sair daqui e começar um trabalho. Não me sinto preparada, sinto que sempre falta alguma coisa”, confessa Camila Alves, formanda em Publicidade e Propaganda.
Todo esse medo é normal, algo que acompanha a maior parte dos universitários. Segundo a psicopedagoga e assessora do Programa de Apoio Acadêmico ao Discente (Proad), Ana Perez, a palavra mais adequada a ser usada nesse momento é insegurança. Isso acontece pois a faculdade é uma zona de conforto em que o aluno sempre se sente protegido e monitorado por professores que o apóiam quando precisarem. O futuro incerto, o emprego não garantido, a forma de como se sustentar ou o medo pela suposta falta de capacidade pesam sobre o aluno. Devido a isso, existem casos de pessoas que ficam muitos anos na faculdade a fim de retardar seu ingresso ao mercado de trabalho.
A formanda em Jornalismo Pâmela Meireles não se sente preparada para essa nova fase. “Me imagino em meu ambiente de trabalho meio perdida, como se eu não tivesse capacidade de fazer”, confessa.
Mesmo tendo um bom preparo no ensino superior, o mercado de trabalho é diferente. “O aluno irá ter a teoria na faculdade. Muitas vezes, a prática não corresponde à teoria ou a prática exige fazer algumas coisas que o ensino superior não prevê a ele”, esclarece Ana Perez.
Com isso, Pâmela complementa: “Eu acho que eu me preparei bem na academia. Tudo que eu tive oportunidade de fazer no meu curso eu fiz, mas na faculdade não é igual ao mercado de trabalho. No mercado de trabalho somos duplamente exigidos.”
O aluno que faz faculdade com qualidade se sente inseguro tanto quanto àquele aluno que não se preparou tanto.
A psicopedagoga também esclarece que a autoestima também é um fator relevante. Se o aluno concluiu satisfatoriamente sua parte acadêmica, mas tem a autoestima baixa, a insegurança será sua acompanhante, mais do que àquele que apresenta um nível de confiança maior.
Tailise Rodrigues é prova de que pode haver exceções. Formanda em Administração de empresas, a aluna não apresenta esses sentimentos negativos, diferentemente da maioria. “Não tenho certeza da área que eu vou atuar, mas tenho uma segurança muito grande que estou fazendo a minha parte”, declara. Mesmo não conseguindo enxergar o seu futuro e não sabendo ao certo o que irá fazer ela acredita que Deus encaminhará tudo. “A minha segurança é baseada na minha fé. O meu segredo para não ter medo é confiar em Deus e fazer a minha parte”, revela.
O modo de encarar a realidade dependerá de cada um, se preparando e confiando em seu potencial para realizar o que for proposto.

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