Poder de compra aumenta, mas brasileiro se endivida mais

Apesar do aumento do poder de compra, endividamento
já atinge 60% da população. Foto: Gabriela Vizine
A cada ano o dinheiro que entra na conta do trabalhador brasileiro no final do mês aumenta. É o que diz a última pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE. Segundo o levantamento, nos últimos 10 anos o rendimento médio do brasileiro cresceu mais de 20%, atingindo, até o mês de fevereiro, o valor de R$ 1670,00. O fenômeno do crescimento do consumismo deu origem, inclusive, a uma nova ordem social, a chamada classe C.

O supervisor escolar Jaelson Batista é um exemplo do impulso na vida econômica dos cidadãos comuns. Ele, que trabalha na prefeitura da cidade de São Paulo, teve uma mudança até mesmo no estilo de vida com o crescimento do poder aquisitivo nos últimos anos. “Com o aumento no orçamento passei a agregar mais gastos com o terceiro setor da economia, ou seja, com lazer, cultura, entre outras diversas áreas”, revela Jaelson. Somente na capital paulista, nos últimos oito anos o rendimento médio do trabalhador cresceu 25%, de acordo com dados do IBGE.

O fenômeno de consumo dos brasileiros já se expandiu para o mundo inteiro. Segundo a Organização Mundial de Turismo, somente no ano de 2011 as despesas dos brasileiros no exterior chegaram a US$ 21,2 bilhões, recorde absoluto.

A brasileira Janne Erickson, natural de Pernambuco, mora há 10 anos nos Estados Unidos e faz parte do grupo de cerca de 1,2 milhão de “brazilians”, como são chamados por lá, que moram nos EUA. Janne ressalta que até os empresários americanos veem a presença dos brasileiros no país com bons olhos. “Aqui o brasileiro é visto como um turista de qualidade. É o número um. O que mais deixa dinheiro nos Estados Unidos”, diz Janne, que relacionou este ‘boom’ à atitude do presidente Barack Obama de afrouxar as imposições sobre a liberação de visto aos brasileiros. “Obama foi pressionado por comerciantes e donos de empresas à abrir as leis para o imigrante brasileiro, pois ele, além de conhecer o país, consome, diferentemente dos europeus, que vão mais à passeio.”

Endividamento também cresceu

O aumento do poder de compra do cidadão trouxe um efeito dominó na economia. Um estudo da LCA Consultores revelou que o endividamento do brasileiro atingiu nível recorde. O total da dívida familiar no Brasil já atinge cerca de 40% da quantia anual de rendimentos do trabalho e da Previdência Social.

Para o professor da Fadisp Aurélio Chaves, especialista em economia, o problema das dívidas passa também pela alta taxa de juros. “As famílias de classe média e média-baixa não levam em conta o tamanho da taxa de juros, passando a comprar produtos somente analisando se a parcela cabe no bolso”, pontua o Chaves. Essa reação da população com relação ao momento econômico é classificada pela diretora da Trade Contabilidade, Simone Rodrigues, como um dos motivos para as altas dívidas. “Com esse rendimento maior o cidadão acabou se empolgando e gastando muito, sem fazer o devido controle do preço do produto, e do que recebe e gasta”, afirma.

Dicas para não entrar na malha fina

De acordo com a última pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, cerca de 60% da população brasileira declarou possuir dívidas entre cheques pré-datados, cartões de créditos, carnês, empréstimos, etc.

Para quem não quer fazer parte desse indicador negativo, Simone receita algumas práticas e hábitos financeiros a serem cultivados. “Ter os pés no chão, colocar numa planilha tudo o que ganha, tudo o que gasta e calcular os juros no caso de compras parceladas.” Segundo a consultora, com esse planejamento pessoal, o cidadão pode até passar a pagar à vista, hábito que, para Simone, é o melhor caminho para combater as dívidas. “Com o planejamento, guardar dinheiro para comprar à vista fica mais fácil, a pessoa pode até aproveitar o aumento para a aquisição de bens, como a casa própria”.
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Sobre a ABJ

A ABJ é a agência júnior de jornalismo do curso de Comunicação Social do Unasp - Centro Universitário Adventista de São Paulo.

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